Velho ou clássico?

Entenda as diferenças entre um carro colecionável e um dispensável
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Gustavo Ruffo
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- Numa roda de amigos, pode muito bem acontecer de uma pessoa dizer que determinado carro é clássico e ser contestado por alguém que acha que o mesmo modelo é simplesmente um automóvel velho. Afinal de contas, o que faz de um carro um modelo velho ou clássico?

Legalmente falando, para que um carro seja considerado item de colecionador basta que ele tenha sido fabricado há mais de 30 anos e tenha um grau alto de originalidade. É o que disciplina a resolução 56, de 21 de maio de 1998, que instituiu a placa preta, o reconhecimento oficial de que determinado veículo merece o título de antigo.

Esse prazo de 30 anos, por sua vez, deriva do que foi estabelecido pelo próprio Código de Trânsito Brasileiro, em seu Anexo I. Ali, o legislador determina que seja considerado como veículo de coleção “aquele que, mesmo tendo sido fabricado há mais de trinta anos, conserva suas características originais de fabricação e possui valor histórico próprio”. O CTB também prevê que um carro pode ser classificado, quanto à sua espécie, em veículo de coleção item g do art.96, II.

Houve até uma confusão inicial porque, quando foi publicada, a resolução 56 estabelecia o prazo de 20 anos como o mínimo, mas isso foi corrigido pela resolução 127, de 6 de agosto de 2001. Desse modo, o critério mínimo foi padronizado em 30 anos. A certificação para o que é original ou não ficou a cargo da FBVA, a Fcaptionação Brasileira de Veículos Antigos, e dos clubes a ela associados.

Antigo, clássico e velho

De acordo com Roberto Nasser, fundador e atual curador do Museu do Automóvel em Brasília, há mais uma distinção digna de nota, entre veículos antigos e clássicos. “Clássico é um pacote fechado, ou é ou não é. Os pré-guerra, por exemplo, são quase todos clássicos. Essa definição pressupõe um veículo de engenharia avançada para a época, alto custo e, portanto, baixa produção. Todos os Rolls-Royce, por exemplo, são clássicos. Já os Packard, por exemplo, só têm clássicos nos V12; Cadillac, os V12 e os V16.”

Sob essa perspectiva, haveria algum nacional clássico? Sim. “O Brasinca/Uirapuru e o Willys Itamaraty Executivo, chamado de limusine. Fora esses dois modelos, os restantes são de interesse especial.” Por interesse especial entenda valor histórico próprio, a mesma expressão usada pelo CTB para definir um carro de coleção.

Essa definição, que seria algo sujeito a múltiplas interpretações, é outro dos pontos que definem um veículo antigo. Todo carro, por ter feito parte do mercado em determinada época, é um definidor desse tempo, tendo sempre um valor histórico intrínseco. Esse valor aumenta ou diminui de acordo com as inovações e o impacto que esse carro determina.

Assim, um VW Gol GTi 1989, apesar de ainda não ter trinta anos de fabricação, é um sério candidato a carro antigo por ter sido o primeiro nacional equipado com injeção eletrônica. Se algum deles chegar a 2019 em bom estado, será objeto de admiração em eventos como o de Araxá leia mais sobre isso aqui.

O mesmo se poderá dizer do Mille. Sendo um carro barato, pouquíssimas unidades resistirão a modificações ao longo do tempo para serem menos “peladas”, mas o carro marcou uma época no país, até hoje relevante: o surgimento dos carros populares, ou meramente 1-litro. Duvida? Pois o Gordini Teimoso e o DKW Pracinha são hoje modelos raríssimos. Quando foram vendidos, eles eram imediatamente internados em lojas de acessórios que colocavam neles lanternas, eliminadas para baratear os custos.

Quem diria em 1960, por exemplo, que um Romi-Isetta seria um veículo antigo? Na época, diante de modelos como o Simca Chambord e o FNM JK, mais modernos e potentes que o pequenino veículo, ele deve ter chegado perto de ser desprezado, especialmente pela garotada da época, que, como a de hoje, queria um carro possante para se destacar da multidão. Esse mesmo jovem, hoje, chamaria com um Romi-Isetta muito mais atenção do que se estivesse num veículo importado de último tipo. Esse é outro fator determinante do clássico: o carisma.

Outros veículos se tornaram antigos pela direção oposta, ou seja, por serem veículos potentes, caros e, por isso mesmo, pouco acessíveis, o que gerava um desejo por eles que ficou reprimido para muitos. Veja o caso dos Ford Maverick GT e Landau, por exemplo. O primeiro era o sonho dos adolescentes ávidos por impressionar as “menininhas”, enquanto o segundo era o dos senhores, com uma oferta de espaço e de conforto até hoje pouco comuns. Hoje, os adolescentes daquela época têm dinheiro para comprar seus Maverick, mesmo que sem o motor V8, enquanto os adolescentes de hoje são fascinados pelo estilo dos Landau e dos Galaxie, que se mantêm imponentes mesmo quando mal conservados.

Teoricamente, portanto, qualquer carro pode ser digno de integrar uma coleção, basta que ele se conserve ou seja restaurado de acordo com o que era quando foi fabricado. Coleções, como livros de história, servem para nos contar um pouco sobre tempos passados. Poucas coisas no mundo fazem isso tão bem quanto os automóveis e as lembranças que eles evocam.

Na foto do abre, um Lamborghini Miura conversível - exemplar único feito pela fábrica para exposições

Gosta de algum clássico ou candidato a ser?

Então veja abaixo as melhores ofertas dos veículos citados nesta reportagem.

  • Willys Gordini

  • DKW-Vemag

  • VW Gol GTi

  • Fiat Uno Mille

  • Ford Galaxie

  • Ford Landau

  • Ford Maverick

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