Brasil leva 7X1 do México no acordo de carros

Modelo fabricado no México e vendido no Brasil seria mais barato que o feito aqui

  1. Home
  2. Notícias
  3. Brasil leva 7X1 do México no acordo de carros
Rodrigo Ferreira
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

Um confronto Brasil e México sempre pareceu ser favorável para nós. Temos o maior território (3X), a maior economia (9º do mundo contra 15º), somos 207 milhões de brasileiros contra 127 milhões mexicanos e, além disso, temos cinco Copas do Mundo de futebol contra nenhuma deles (😊). Porém, em um campo estamos levando um 7X1 de nossos amigos mexicanos. O acordo de livre comércio de automóveis, que passou a vigorar em março deste ano.

É o que apontou um recente estudo feito pela consultoria PwC a pedido da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O objetivo do estudo foi comparar os custos de produção de cada país e trazer insumos sobre o posicionamento estratégico de cada nação para nortear a atuação da associação sobre o tema. Pelo levantamento apresentado pelo novo presidente da associação, Luiz Carlos Moraes, à jornalistas esta semana, os mexicanos desenharam a sua estratégia comercial voltada para a exportação de carros e para serem eficientes nisso.

 Chevrolet Onix é o carro brasileiro mais vendido no exterior
Legenda: Chevrolet Onix é o carro brasileiro mais vendido no exterior
Crédito: Chevrolet

De fato, 88% da produção mexicana é vendida fora do país (contra 22%). Além disso, o país de Carlos Santana e Pancho Villa, tem acordos com 46 países contra 11 do Brasil. Em volume de exportação de carros, o México exportou US$ 143 bilhões em veículos contra US$ 26 bilhões do Brasil, em 2017.

Alguns números tornaram ainda mais palpável a diferença na balança. O México é o segundo maior exportador de carros para o Brasil, atrás apenas da Argentina. Em contrapartida, somos apenas o sexto maior vendedor de veículos para os mexicanos. Além disso, enquanto o ranking dos cinco carros mais exportados pelo Brasil são do segmento de entrada (Onix, HB20, Ka,Gol e Prisma) os mexicanos enviam para o mundo Jetta, Sentra, Compass,Versa e até Silverado 2500, e em volumes muito maiores (1,1 milhão contra 500 mil para estes modelos, apenas destes modelos).

Enquanto as nossas exportações são concentradas em commodities, com a soja sendo o item mais vendido além das nossas fronteiras, os produtos manufaturados e de maior valor agregado compõem a principal cesta de vendas dos mexicanos aos gringos. Com o segmento de automóveis e autopeças ocupando as duas primeiras posições. “Eles (mexicano) especializaram a sua indústria automotiva para exportações e, com isso, conseguem volumes de compra com fornecedores no mundo todo a preços mais competitivos, além de manter o seu parque fabril constantemente atualizado. A taxa de ocupação das fábricas por lá beira os 90%”, explicou Moraes. No Brasil, a taxa de ociosidade nas linhas de montagens das fábricas está em 40%, atualmente.

 Nissan Versa é um exemplo de modelo vendido nos dois países
Legenda: Nissan Versa é um exemplo de modelo vendido nos dois países
Crédito: Ricardo Rollo / WM1

Caso bizarro e muito menos imposto

Segundo o levantamento da PwC, enquanto os brasileiros pagam entre 37% e 44% do valor final do carro em impostos, os mexicanos têm uma taxação menor e mais simples, de 16% (o IVA – Imposto sobre Valor Agregado). Na conta final trazida pelo estudo, o custo de produção aqui é 18 pontos percentuais maior que no México.

A diferença chega a ser bizarra. Suponha que o modelo A seja fabricado e vendido nos dois países. O modelo mexicano feito no México e trazido para o Brasil ainda assim seria mais barato que o feito e vendido por aqui. Mesmo enfrentando um frete muito maior e outras taxações.

De acordo com o presidente da Anfavea as medidas para atenuarem este “Mineiraço” envolvem a aprovação da reforma tributárias da previdência e tributária, aumentar o número de acordos internacionais e fomentar a cadeia de fornecimento. “Sou a favor sim de termos o livre comércio com o México, mas precisamos simultaneamente a isso reforçar o mercado brasileiro”, concluiu.

Segundo Moraes, a Anfavea está em conversas com o Governo Federal e já apresentou o estudo para o Ministério da Economia.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors