Novo Mégane e a força da imagem

  1. Home
  2. Bolso
  3. Novo Mégane e a força da imagem
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Pode parecer estranho que na faixa de modelos médios, que responde por uma fatia de apenas 12% do mercado total, existam tantos lançamentos. Mas isso se explica pela palavrinha mágica lucratividade. E, dentre os médios, os sedãs se destacam. Em pouco mais de seis meses, três modelos novos: Vectra, Mégane II esta semana e Civic II em abril. E, no segundo semestre, o Peugeot 307, que vem da Argentina, e o VW Jetta importado do México.

Curioso, também, que alguns hatchs — Stilo e C3, por exemplo — até agora apresentavam superioridade técnica em certos aspectos em relação aos sedãs. A Renault mudou essa contradição e explorou bem as vantagens do seu novo produto ao lançar o Mégane. Citou, entre outras, a direção elétrica de assistência variável e a arquitetura elétrica multiplexada para facilitar a instalação de vários recursos de bordo, como o exclusivo cartão em substituição à tradicional chave e a partida e parada do motor por botão no painel.

O novo Mégane apresenta outras exclusividades. O câmbio manual de seis velocidades para o motor de 2 litros/138 cv disponível em maio é uma delas. Não se transformou em primazia porque já equipou o sedã compacto Siena. No caso atual, destaca-se o ciclo de estrada norma NBR 7024, quando o motor mais potente consegue ser mais econômico, a 100 km/h constantes, que o de 1,6 litro graças ao novo câmbio, situação que cobre 95% das estradas brasileiras.

Outra aposta correta da Renault é na segurança. Trata-se de um conjunto de série único no mercado brasileiro: freios a disco nas quatro rodas com ABS e repartição eletrônica de frenagem, cintos de segurança dianteiros com pré-tensionador duplo e limitador de esforço, airbags duplos frontais em dois estágios e cinto de três pontos também para o passageiro central do banco traseiro. Nessa faixa de preço o comprador tem mais poder aquisitivo e valoriza estes itens, ao contrário do que ocorre no segmento do Clio. Só não caiu bem a ausência do encosto de cabeça central no banco traseiro na versão de entrada Expression, de série apenas na versão de topo Dynamique.

Como automóvel de imagem, o Mégane II é o produto certo e deve ajudar na recuperação da marca francesa. Ela observa que parte do mercado ainda não a identifica como um fabricante nacional, mas isso também ocorre com Toyota e Honda sem qualquer prejuízo. Mais difícil será consolidar a imagem de qualidades construtivas do carro e do surpreendente silêncio de bordo, constatados numa viagem de avaliação inicial entre Curitiba e Morretes PR. Espaço interno, posição de dirigir e porta-malas rivalizam até com o Vectra, embora a Renault tenha mirado no Corolla quanto ao preço e características técnicas.

O Mégane II tem detalhes interessantes como o protetor contra arranhões na pintura nas maçanetas externas, mas deixa de lado coisas simples como função um-toque no limpador de pára-brisa ou mesmo sensores de chuva, de faróis e de estacionamento, além de controle automático do ar-condicionado existente no Polo. É plausível o carro vender 12.000 unidades este ano e conquistar 6% do segmento de médios. A concorrência, porém, ficará cada vez mais forte e será ótimo para o consumidor.

RODA VIVA

MÉXICO está conseguindo atrair mais investimentos da indústria automobilística que o Brasil. A DaimlerChrysler acaba de confirmar US$ 1 bilhão. E, em breve, a Ford também deve anunciar a produção do novo Bronco, que nada mais é que a versão aumentada do EcoSport apresentada no Salão de Detroit de 2004 como modelo conceitual.

PIOR do que deixar de investir é desinvestir, como já ocorreu aqui com pickup Dakota e utilitário Land Rover. Agora paira ameaça sobre a fábrica paranaense de motores Tritec, que seria desmontada e remontada na China. DC e BMW, sócias no empreendimento, desmentem. Afinal, alemães estão cautelosos em ccaption aos chineses sua tecnologia sensível.

NOVOS produtos devem ser exportados do México para cá. O utilitário esporte compacto Honda CRV começa a ser produzido lá no segundo semestre e, tudo indica, chega aqui no começo de 2007. GM estuda a importar a pickup Avalanche para não deixar Dodge RAM sozinha. Todos os modelos mexicanos são dispensados do imposto de importação graças ao acordo de livre comércio com o Mercosul, na área de veículos.

BOAS vendas do Citroën C3 levaram a Volkswagen a ofertar novo desconto promocional para o Polo, além do corte de quase 10% do final de 2005. Aos poucos vários modelos vão se adequando à realidade de mercado. Compacto premium da marca dever reagir mesmo quando chegar a reestilização no final do ano, que o deixará igual ao modelo alemão.

SINDICATOS de donos de postos têm sido duros contra usineiros, a quem chamam de “irresponsáveis” por causa do preço do álcool. Talvez pudessem olhar também para seu próprio negócio. Segundo a companhia de saneamento de São Paulo, metade dos postos avaliados apresentou vazamentos nos tanques de gasolina e diesel, com riscos de acidentes ambientais e até de explosão.
________________________________
E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors