Audi A3 Sedan 'abrasileirou'

Agora nacional, sedã bebe álcool e ganhou potência, mas conjunto mecânico perdeu refinamento

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Karina Simões
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O A3 Sedan que começa a ser vendido aqui no Brasil em meados deste mês não existe em nenhum outro lugar do mundo. Isso porque, além dele ser fabricado por aqui – em São José dos Pinhais (PR) -, ele ganhou um motor que bebe álcool além de gasolina e é oferecido com uma configuração mecânica “abrasileirada”. Digamos que ele ficou um pouco menos refinado, mas ganhou quase 30 cv de potência a mais e praticamente manteve o preço da versão importada da Hungria.

A versão de entrada Attraction custa R$ 99.990 e a Ambiente sai por R$ 109.990, ante os R$ 101.190 e R$ 110.190, respectivamente, cobrados pelas versões importadas. O motor 1.4 TFSI está mais vigoroso, gerando agora 150 cv e 25,49 kgf.m de torque. Rodando na gasolina, ele gerava 122 cv e 20,39 kgf.m de torque. Não que isso vá mudar sua vida, mas o ganho de potência refletiu também nos números de desempenho: o 0 a 100 km/h agora é feito em 8,8 segundos, de acordo com a Audi – meio segundo mais rápido – e a velocidade máxima é de 215 km/h. O que muda mesmo é na hora que você pisa no acelerador e aquele fôlego extra aparece. Um detalhe interessanta é que os valores de desempenho do motor são são idênticos tanto com etanol puro como com gasolina. Em suma, eles melhoraram um propulsor que já era bom.

Mas para receber o etanol, o bloco teve de ser renovado. Agora em alumínio, ele também está mais leve e compacto. Injeção direta de combustível e comando variável, além do turbo compressor, fazem parte do pacote. O A3 Sedan é o primeiro Audi no mundo 100% flex, antes dele, alguns modelos da marca até aceitavam alguma porcentagem de álcool, mas não qualquer porcentagem como agora.

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É pra torcer o nariz?

O motor não é a única novidade. O aclamado câmbio S-Tronic de 7 velocidades e com dupla embreagem deu lugar a um tiptronic de seis velocidades, um pouco mais preguiçoso. O novo câmbio vêm do México e a Audi tem algumas justificativas para a substituição. Uma delas é que o S-Tronic era muito agressivo na saída, o que não nos convcenceu, a outra foi que, por utilizar caixa seca, o ruído (pífio e que aparecia apenas em situações bem específicas) daquele câmbio desagradava o consumidor. Convenhamos que a marca não quer ouvir reclamações, ainda mais em se tratando do modelo de maior volume deles. O preço não foi colocado como uma questão aqui e, segundo a Audi, a transmissão de seis marchas sai mais caro para a marca, inclusive.

É inegável que o S-Tronic é um grande produto da Audi. Ela reconhece isso e nós também e, para quem estava acostumado com a agilidade do DSG, o novo câmbio obviamente não chega perto dele. O “gap” é mais notável nas retomadas, mas mesmo assim, ele não desagrada, oferecendo os engates suaves e precisos dignos de um alemão. As trocas podem ser feitas pela alavanca ou pelas borboletas atrás do volante, no caso da versão Ambiente.

Outra mudança foi na suspensão. A traseira trocou o sistema multibraços (mais firme) por uma mais simples e robusta, mas também mais macia, de eixo de torção. Para quem anda na cidade e prioriza o conforto, vai muito bem, mas se você sonha com aquele Audi com suspensão firme, melhor optar por outro modelo. Esta suspensão é produzida no Brasil e, segundo a montadora, a mudança foi feita para que o carro ficasse mais adaptado à realidade de nossa pavimentação, bem diferente do tapete alemão, eles juram que não foi para baratear o carro. A Audi pensa em vender o A3 nesta configuração em outros países da América do Sul.

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Consumo

O A3 Sedan 1.4 recebeu nota A do programa de classificação do Inmetro. O consumo no ciclo urbano foi aferido em 11,7 km/l com gasolina e 7,8 km/l com etanol e, na estrada, 14,3 km/l e 9,9 km/l, respectivamente. Visando economizar combustível, o modelo vem de série com sistema start-stop, que desliga o motor automaticamente quando o carro pára. Mas se ao invés de economizar, você quiser extrair o máximo de potência do motor, a receita é a seguinte: desligue o controle de tração e estabilidade – ele vem em dois níveis, no primeiro o carro fica mais na mão mas ele ainda atua e no segundo, as babás são desligadas. Depois desligue o sistema start-stop, coloque o carro em modo S (a mudança é feita pela alavanca de câmbio) e acelere.  

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Basket case

A versão de entrada Attaction oferece de série airbags frontais, laterais e de joelho, faróis bi-xenôn, lanternas traseiras em LED, sensor de estacionamento, rodas aro 16”, rádio MMI com tela de 5,8 polegadas, 8 alto-falantes, entre outros itens. A versão intermediária Ambience adiciona sensores de luz e chuva, volante multifuncional, rodas aro 17” e paddle shifts (borboletas). Esta versão oferece pacotes de opcionais, alguns interessantíssimos, e obviamente salgados.

Para começar, o pacote que adiciona o sistema MMI Plus custa R$ 13 mil. Por iguais  R$ 13 mil o pacote Design inclui teto solar, couro sintético e porta-objetos. Para fechar, os mais interessantes: Assistance e Assistance Plus, por R$ 10 mil e R$ 18 mil, respsctivamente. Vale lembrar que você deve optar por um ou por outro. O primeiro inclui câmera de ré e controle de cruzeiro e o segundo pode ser chamado de pacote dos sonhos se você preferir. Ele traz sistema de estacionamento automático com câmera de ré, Active Lane Assist e ACC com Pre Front Sense. Calma, vou traduzir. Esses últimos dois sistemas são verdadeiras invenções divinas.

O Active Lane Assist consegue identificar se você está com as mãos no volante e corrige a trajetória do carro caso você saia da faixa sem dar seta. Ele corrige uma, duas, três vezes, na quarta, ao identificar que você não está com as mãos no volante, um aviso sonoro pede para que o motorista assuma a direção. O acionamento é simples, você aperta um botão na ponta da seta do lado esquerdo da coluna de direção e a luz do sistema fica verde no painel. Detalhe, ele funciona apenas quando identifica que você está em velocidade de cruzeiro, não tente usá-lo no anda e pára do trânsito que não vai funcionar.

O outro sistema é o ACC com Pre Front Sense. O ACC é o conhecido controle de cruzeiro adaptativo, você regula a velocidade e ele reduz e acelera o carro, mantendo o veículo sempre dentro da máxima escolhida. É maravilhoso no trânsito. Pode-se habilitar o sistema por um botão em uma alavanca abaixo da seta e, se o carro parar totalmente, você reativa o sistema com uma pisada no acelerador. Mesmo se ele não estiver habilitado, o carro está sempre alerta. Até 30 km/h de velocidade, se ele identificar uma colisão, freia automaticamente.

Interior

O interior está igualzinho. Bem acabado, espaçoso e sem entrada USB. Se você é supeer conectado e não quer ficar sem bateria, antes de entrar em um Audi, compre um adaptador para tomada de 12V com entrada USB, a não ser que o modelo escolhido seja um A6, A7, RS6, RS7 ou o TT, que já contam com a entrada. As capacidade de carga é boa, ele comporta 425 litros no porta-malas, e pode levar até 880 litros com os bancos rebatidos.

Saldo

O tira e põe da Audi aliado à fabricação nacional deu ao A3 Sedan um tempero brasileiro e permitiu que, mesmo com o câmbio variando muito, a marca conseguisse estabilizar o preço do carro. O cliente que está entrando na marca certamente aprovará o novo conjunto, afinal, Audi é sinônimo de status. Porém, aquele que conhece mais o carro ou que já experimentou um DSG e a suspensão mais firme da Audi uma vez na vida, sentirá falta do tempero alemão.

A marca espera produzir ao menos 1.000 unidades do sedã compacto ainda este ano e diz que para 2016 a produção vai ocorrer conforme a demanda. Todavia, eles não esperam produzir menos de 10 mil unidades do modelo ano que vem.

Sem dúvida, o A3 Sedan continua muito bem acertado, graças ao esquema de construção de carroceria, ótima rigidez torcional e dinâmica. Ele seguirá agradando e, sobretudo, atendendo à proposta de um sedã compacto premium. Mas não dá pra negar que, como praticamente tudo que é nacionalizado, o A3 também perdeu um pouco de seu encanto.

Por fim, se você curte a carroceria sedã e quer mais que um motor 1.4, espere pelo final do mês. Vem aí o A3 Attraction 2.0.

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