Classe C ganha versão híbrida e painel digital

Sedã da Mercedes-Benz passa também a contar com frenagem automática e faróis full-LED. Preços de R$ 188 mil a R$ 260 mil

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Alessandro Reis
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Apresentada em março no Salão de Genebra (Suíça), a reestilização de meia-vida da quinta geração do Mercedes-Benz Classe C chega em novembro ao Brasil trazendo, pela primeira vez, motorização híbrida e novidades pontuais de estilo e conteúdo. Como anteriormente, o modelo mais vendido da marca alemã no mundo será oferecido no país em quatro versões diferentes: C 180 Avantgarde (R$ 187,9 mil), C 180 Exclusive (com estrela no capô e grade tradicional, por R$ 188,9 mil), C 200 EQ Boost (R$ 228,9 mil) e C 300 Sport (R$ 259,9 mil). Todas são equipadas com motor de quatro cilindros turbo.

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Legenda: Novo Classe C 2019 mantém dimensões e visual geral lançados aqui em 2014. Próxima geração deve ser apresentada em cerca de três anos e meio
Crédito: Divulgação

Visualmente, as principais modificações no sedã estão na dianteira, que agora traz faróis full-LED de série em todas as configurações, bem como para-choques e rodas redesenhados. Além disso, as lanternas traseiras exibem novo arranjo de luzes, com "assinatura" de LEDS no formato da letra "C". Além disso, pela primeira vez o Classe C conta com painel de instrumentos digital, disponível a partir da versão C 200 e nova central multimídia compatível com Android Auto e Apple CarPlay, que permite utilizar diretamente no veículo os aplicativos de rotas de trânsito Waze e Google Maps. Também conta com botão de partida (agora em forma de turbina), sensor de chave, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo e frenagem automática de emergência com alerta de colisão dianteira em toda a gama.

Eletricidade por mais eficiência

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Legenda: Lanternas traseiras agora exibem "assinatura" de LEDs na forma da letra "C"
Crédito: Divulgação

Porém, a mudança mais relevante é a adoção da propulsão híbrida , exclusiva da configuração C 200. Ela traz o sistema BSG (belt driven generator), que combina um pequeno motor elétrico e o novo propulsor 1.5 turbo para render 183 cv de potência e 28,5 kgf.m de torque, que são momentaneamente acrescidos de 14 cv e 16,3 kgf.m com o auxílio do motor elétrico em acelerações.

Esse motor elétrico, na verdade, reúne em uma peça só o motor de arranque, o alternador e o sistema start-stop, que desliga automaticamente o propulsor em paradas curtas para poupar combustível. Nas reduções de velocidade, o equipamento funciona como um alternador convencional, mas passa a empurrar as rodas em conjunto com o motor 1.5 em acelerações. Esse mesmo motor dá arranque ao propulsor a gasolina e está conectado a uma bateria de 48 volts - outra de 12 volts, convencional, abastece os demais equipamentos elétricos, como luzes e ar-condicionado. É uma tecnologia já utilizada por outras marcas, a exemplo dos novos modelos da Audi, como o A4 - rival direto do modelo da Mercedes-Benz.

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Legenda: Abaixo da sigla EQ, painel mostra quando as baterias são recarregadas, nas desacelerações, e quando o motor elétrico entra em ação
Crédito: Divulgação

De acordo com a Mercedes-Benz, o motor/alternador acionado por correia tem o objetivo de deixar o carro mais esperto e reduzir o consumo de combustível ao mesmo tempo. O motor elétrico, por exemplo, evita o chamado "turbo lag", entrando em ação antes da turbina atingir a pressão ideal, e também atua nas acelerações, fazendo a rotação ideal do motor a gasolina ser atingida antes, agilizando as trocas de marcha do câmbio automático, que no ano passado ganhou nove marchas - anteriormente, eram sete velocidades.

Além disso, o sistema BSG, chamado pela fabricante de EQ Boost, desliga a unidade 1.5 a combustão em paradas rápidas e até com o veículo em movimento, deixando as rodas livres, em velocidade de cruzeiro e ao tirar o pé do acelerador. Tudo para economizar combustível: em test-drive rodoviário com o C 200, o WM1 registrou consumo médio de gasolina na casa dos 12 km/l na estrada (mais sobre as impressões ao volante abaixo). A própria Mercedes adianta que a tecnologia BSG também está presente em novos modelos da AMG, a divisão de alta performance da marca europeia, que serão apresentados no Brasil nos próximos dias.

Classe C híbrido vai recolher mais IPI

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Legenda: Rodas de liga leve têm novo desenho. Nas versões C 180 e C 200 (foto), elas têm 17 polegadas. No C 300, agora medem 18 polegadas
Crédito: Divulgação

Curiosamente, a Mercedes-Benz não considera o C 200 um carro híbrido porque ele não é capaz de rodar exclusivamente no modo elétrico - nele, o motor 1.5 a gasolina está sempre ligado e o elétrico entra em ação para dar uma força extra quando é preciso. No entanto, para fins tributários, o C 200 é enquadrado como híbrido e vai inclusive recolher mais IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) com a nova tabela para veículos elétricos e híbridos, que passa a vigorar a partir de 1º de novembro como parte do Rota 2030 - novo regime automotivo que substitui o Inovar-Auto.

"O IPI atual do C 200 é de 13% e vai subir para 19% com as novas regras, infelizmente", informou Dirlei Dias, gerente sênior de vendas de automóveis da Mercedes-Benz, durante a apresentação da linha 2019 do Classe C para a imprensa. A nova tabela do IPI leva em conta a eficiência energética, medida em MJ/km (megajoules por km), e o peso do veículo. O C 200, no caso, pesa 1.505 kg, muito por conta das baterias extras, e tem eficiência de 1,89 MJ/km, recolhendo, portanto, 19% do imposto.

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Legenda: Cabine traz acabamento primoroso e bom espaço para as pernas no banco traseiro, que conta com duas saídas de ar exclusivas
Crédito: Divulgação

Recentemente, Henry Joseph Jr., diretor técnico da Anfavea, a associação das montadoras no Brasil, criticou a nova tabela do IPI. " Ao definir as faixas de peso na cobrança do IPI, o governo não levou em conta o peso extra dos elétricos por conta das baterias e dos híbridos, que têm baterias menores, mas contam com dois motores. Parece que encontrou um mecanismo para não abrir mão da arrecadação", disse o executivo.

Voltando às novidades para a gama do Classe C, a versão topo de linha C 300, a única não AMG a utilizar motor 2.0 turbo, teve a potência elevada de 245 cv para 258 cv, com torque mantido em 37,7 kgf.m. Já as configurações de entrada C 180 Avantgarde e Exclusive mantêm sem alterações o propulsor 1.6 turbo de 156 cv e 25,5 kgf.m, o único da gama com tecnologia flex. Como anteriormente, as quatro versões do Classe C são montadas em Iracemápolis (SP), com boa parte dos componentes importada.

Fora os itens já citados, todas as configurações do sedã trazem novo volante, com botões sensíveis ao toque nos dois lados para controlar os menus do painel e da central multimídia, e novas opções de acabamento interno, mantendo o alto padrão de qualidade da montadora germânica.

Impressões ao volante

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Legenda: Além do painel digital, de série a partir do C 200, Classe C traz novo volante, com comandos sensíveis ao toque
Crédito: Divulgação

No lançamento do novo Classe C, tivemos a oportunidade de dirigir, sobretudo em ciclo rodoviário, o novo C 200 EQ Boost no interior de São Paulo. Para começar, você nunca nota o motor elétrico entrar em ação, mas ele está lá para proporcionar acelerações lineares e progressivas, sem "buracos" antes do acionamento do turbo. É um carro ágil, esperto, mas que não entrega acelerações de tirar o fôlego e "colar" as costas no banco. A Mercedes informa que essa versão é capaz de fazer o zero a 100 km/h em 7,7 segundos, o que não é nada mau, com velocidade máxima limitada a 239 km/h.

Em velocidades mais altas, o volante de boa empunhadura tem o peso certo e, combinado com a tração traseira que acompanha o Classe C desde seu nascimento, a condução é prazerosa e transmite confiança - as suspensões mantêm o carro bastante estável, inclusive nas mudanças mais rápidas de trajetória, embora privilegie o conforto - mesmo no modo esportivo Sport +. O C 200 e outras versões contam com um seletor de modo de condução, que ajusta câmbio, acelerador, direção elétrica e carga dos amortecedores para uma tocada mais econômica e confortável ou uma abordagem mais nervosa.

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Legenda: Como anteriormente, porta-malas tem capacidade para 455 litros de bagagens, razoável, mas não acima da média
Crédito: Divulgação

Além de desligar o motor em paradas rápidas, como em um semáforo, a fim de reduzir o consumo, o C 200 também pode desativá-lo totalmente em movimento, desacoplando totalmente a transmissão, quando há carga suficiente nas baterias e com o pé fora do acelerador - o seletor de modos de condução precisa estar na posição "Eco", a mais econômica. Nesses instantes, ar-condicionado e outros equipamentos seguem operando normalmente. Rodando em velocidade média de 110 km/h e com pé "leve", conseguimos média de 12 km/l de gasolina.

Segurança

Nessa atualização, todos os Classe C trazem assistente de frenagem ativo, que identifica, usando um radar e uma câmera instalada no para-brisa, quando há risco de colisão, emitindo um alerta visual (triângulo vermelho na base do painel) e também, quando o risco for maior, um sinal sonoro. Na iminência de uma batida, o veículo, então, aciona os freios sozinho para evitar ou minimizar os danos de uma batida - a velocidades de até 60 km/h, diz a fabricante, a tecnologia identifica também pedestres e pode, sem haver garantia disso, parar o carro totalmente antes da colisão. A sensibilidade do sistema pode ser ajustada.

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Legenda: Central multimídia é nova, traz tela de alta resolução e exibe os diferentes ajustes de estilo de condução. Com LEDs, faróis trazem luz alta automática
Crédito: Divulgação

Juntamente com esse recurso, todos os Classe C agora trazem controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, que permite regular a velocidade desejada e também a distância a ser mantida do veículo logo à frente, ajustada pelo próprio veículo por meio dos freios e das informações da câmera e do radar. Ou seja: se você ajustou 110 km/h e o carro à sua frente está a 80 km/h, o sedã mantém a distância programada e só começa a acelerar até a velocidade definida quando a pista ficar livre.

Avaliamos esses recursos durante o test-drive e eles de fato funcionam a contento, embora exijam algum tempo até você entender todos os comandos e ajustes disponíveis.

Painel digital

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Legenda: Apenas a versão C 180 conta com painel analógico. Na foto, o Classe C 200
Crédito: Divulgação

Quanto ao painel digital, ele tem 12,3 polegadas, alta resolução (1.920 x 720 pixels) e três opções diferentes de visualização. O "cluster" eletrônico é bastante bonito, embora por vezes traga excesso de informações ao condutor - o alerta de colisão, por exemplo, é um pequeno triângulo vermelho que aparece na base do painel e deveria ser exibido com mais destaque. Vale lembrar que o C 180 é agora o único com cluster analógico, acompanhado de uma tela colorida de 5,5 polegadas na parte central. No C 180, a tela multimídia também é menor. Nas demais configurações, ela tem 10,2 polegadas.

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Legenda: Painel digital tem 12,3 polegadas, alta resolução e conta com três modos diferentes de visualização
Crédito: Divulgação

Acabamento interno

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Legenda: No C 200, motorista tem banco totalmente elétrico com três posições de memória. Cabine é luxuosa

Por dentro, a qualidade de construção do Classe C é mantida, abusando de materiais agradáveis ao toque e acabamento de primeira. O C 200, por exemplo, traz banco do motorista totalmente elétrico, do passageiro com comandos elétricos parciais e acabamento com metal - nas configurações C 180 e C 200, o cinza-escuro é uma das novas opções de cor interna, enquanto o C 300 agora pode vir com interior marrom.

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Legenda: Faróis full-LED vêm de série em todas as versões do Classe C
Crédito: Divulgação

A quinta geração do Classe C chegou ao nosso mercado em 2014 e é a recordista de vendas do modelo, com mais de 1,9 milhão de unidades vendidas no mundo, um recorde. A Mercedes-Benz projeta que, das quatro versões, a C 180 vai responder por 60% das vendas, seguida pela C 200 (25%) e pela C 300 (15%).

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