O trânsito e o parlamento

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Fernando Calmon
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- Assuntos de trânsito costumam gerar polêmicas e discussões apaixonadas. A mudança nas penalidades por descumprimento da velocidade permitida nas vias, por iniciativa do deputado fcaptional Beto Albuquerque PSB-RS, recebeu críticas de alguns especialistas de trânsito e até de um candidato à presidência da República. Na realidade, nenhuma das vozes discordantes tem razão.

Em primeiro lugar porque a nova lei encerrou uma impropriedade do atual Código de Trânsito Brasileiro que confundia, nas cidades, vias de trânsito rápido e arteriais. Em segundo, estabeleceu graduação racional entre infração média, grave e gravíssima, criando um limite intermediário entre 20% e 50% de excesso de velocidade. Acabam as injustiças e está corretíssimo. Afinal, é preciso ir com calma ao atribuir os males que atingem o trânsito apenas à velocidade em si. Esta aparente causa onipresente traz distorções, pouco contribuindo para investigação técnica de acidentes.

Problemas aparecem já ao fixar limites bem inferiores aos normais, possível atavismo de quando não se contava com modernos controles eletrônicos de fiscalização e as placas de sinalização pareceriam inibidoras. Também se deixou de lado o reconhecimento da constante evolução tecnológica dos veículos com freios, suspensões e pneus muito melhores ao longo dos anos. E a sempre suspeita indústria de multas continua por trás da imposição de velocidades irreais ou hipócritas. Preocupa o fato de que já há ameaças veladas, por parte de autoridades responsáveis, de diminuir os limites para neutralizar o avanço, em boa hora, aprovado pelo Congresso Nacional.

Nem tudo nas discussões legislativas, porém, merece aplausos. Um dos projetos pretende diminuir o grau de transparência das películas escurecedoras nos vidros laterais e até do pára-brisa. Não se fez nenhum estudo sobre segurança viária e diminuição de visibilidade à noite, em túneis, neblina, chuva. A intenção real é validar o absurdo descontrole e os abusos hoje observados em milhões de carros. Se aprovado, faz jus a veto presidencial.

De outro lado, a coluna apóia o projeto da deputada Selma Schons PT-PR que pretende evitar que todos os veículos passem a trafegar com faróis acesos de dia, salvo em condições especiais. Em apenas meia dúzia de países maioria de pouca incidência solar, entre 200 nações, existe essa exigência. Estudos feitos no exterior comprovam: faróis acesos em ônibus e motos, com os demais apagados, criam estímulo visual que amplia a segurança do tráfego.

Por fim, em defesa do bolso do consumidor, seria importante que algum parlamentar apresentasse um projeto obrigando que todas as bombas de gasolina do país tivessem um dispositivo simples para leitura direta do teor de álcool na gasolina, a exemplo do indicador de água existente nas bombas de álcool. Postos de serviço e distribuidoras inescrupulosas podem estar caindo na tentação de adicionar álcool à gasolina, além dos 20% autorizados, em detrimento do motorista. Com o advento dos motores flex, essa falcatrua torna-se difícil de perceber. Prejuízo duplo: substituição desonesta do combustível mais caro por outro mais barato, além de menor autonomia alcançável.

RODA VIVA

FIAT e Tata estudam, nos próximos dois meses, fabricar pickups e utilitários esporte da marca indiana na Argentina. Há forte pressão do governo vizinho para que o grupo italiano volte a produzir veículos na fábrica semiparalisada de Córdoba. Estão em discussão subsídios oficiais de cerca de R$ 300,00 por cada emprego criado. Resta saber se os produtos indianos são atrativos.

MAIS uma marca vai se antecipar ao Salão do Automóvel de São Paulo 19 a 29 de outubro. Peugeot lançará a versão aventureira da station 206 em meados de setembro. Fórmula é a mesma de sempre: adereços apenas sugestivos da vida no campo.

PEUGEOT 307 sedã chega em 24 de agosto com preços e dotação de equipamentos bastante competitivos R$ 55 mil a R$ 76 mil. Motor de 2 litros/143 cv representará 70% das vendas e câmbio automático, 60%. Tem porta-malas de 500 litros, bom acesso e pode triplicar esse volume rebatendo banco traseiro. Visibilidade e correta relação conforto-estabilidade estão entre suas qualidades. Falta certa ousadia no desenho da parte traseira.

MARATONA de eficiência energética realizada em Indaitatuba SP mostra evolução dos estudantes de engenharia. Recorde entre veículos especiais a gasolina, da primeira a esta terceira edição, subiu quase 300%. Triciclo vencedor, da Universidade Fcaptional de Minas Gerais, atingiu cerca de 600 km/l. Na categoria elétrica, a FEI SP ganhou com 135 km/W.h.

FARRA dos engates falsos vai acabar. Denatran publicou regulamento severo no Diário Oficial. Haverá prazo de 180 dias para retirada ou adaptação à lei. Fiscalização não será tão fácil, pois o carro precisa ser parado pelo agente de trânsito. Tolice insistir na irregularidade: multa de R$ 127,69, cinco pontos no prontuário e a retenção do veículo para regularização.
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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.
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