CAOA Chery Tiggo5x: linha tênue do custo-benefício

Marca sino-brasileira recheia inédito utilitário esportivo CAOA Chery Tiggo5x, mas arroja no preço de quase R$ 100 mil

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Raphael Panaro
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Os carros chineses estão entre nós, brasileiros, faz um bom tempo – pelo o menos desde o final da década passada. Independentemente da marca, os modelos vendidos por aqui sempre seguiram um mantra: custo-benefício. A vasta lista de equipamentos e o preço mais acessível são, até hoje, o norte que as fabricantes seguem para buscar espaço no competitivo mercado nacional.

O resultado, com a adição de outros fatores, não é o esperado. Algumas marcas não vingaram e as que restaram acabam disputando entre si a preferência de quem não se importa com status e não tem preconceito com a duvidosa qualidade dos produtos "made in China". Desde que foi comprada pelo Grupo CAOA (que ainda produz veículos Hyundai e importa Subaru)  no final de 2017, a Chery trabalha arduamente para mudar esse cenário. Os planos do novo grupo sino-brasileiro são ambiciosos: brigar com as fabricantes tradicionais e atingir 2% de participação de mercado em 2020.

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Legenda: A CAOA Chery pretende ainda expandir as redes de concessionárias: de 65 em 2018 para 111 em 2019
Crédito: Divulgação

O número pode ser modesto, porém muito significativo para uma marca que ano passado tinha 0,1%. Em 2018, a CAOA Chery deve encerrar com mais de 0,4%. O responsável por esse avanço inicial é o primeiro produto da parceria: o Tiggo2. O segundo e importante passo é agora. Além do sedã Arrizo 5 já anunciado, a marca vai atacar o segmento que mais cresce no Brasil – e no mundo. Com motorização turbo, transmissão de dupla embreagem e acabamento mais esmerado, o Tiggo5x quer entregar muito mais que a perfumaria tradicional. Ele quer mudar a percepção do produto chinês. Será que consegue?

Você já viu aqui que o modelo é ousado ao partir de R$ 86.990 na versão de entrada, batizada de T, e chegar aos R$ 96.990 na configuração topo de linha TXS. Aqui, o famigerado custo-benefício inerente dos chineses é posto em dúvida. Um SUV chinês-brasileiro abarrotado de equipamentos ou um utilitário tradicional mais conservador na lista de itens? A favor do utilitário joga motor 1.5 turboflex de até 150 cv de potência e 21,4 kgf.m de torque.

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Legenda: Faróis de neblina e rodas de 18 polegadas são equipamentos exclusivos da configuração TXS
Crédito: Divulgação

MAS ANDA BEM?

Bom, no parco contato dentro das instalações da CAOA Chery, em Anápolis (GO), foi possível notar pequenas nuances. A primeira é a influência coreana na qualidade. O Tiggo5x é feito na mesma linha que o Hyundai ix35. suspensão independente na dianteira e traseira tem acerto mais “mole” para agradar o público-alvo. Nos obstáculos simulados na pista de testes, o Tiggo 5x filtra bem as ondulações e não faz os ocupantes chacoalharem em demasia.

Por outro lado, em uma tocada mais entusiasmada (algo que o comprador de utilitários não pratica), mudanças rápidas de direção ou até mesmo em curvas fechadas), é possível perceber uma certa oscilação da carroceria.  Se a direção elétrica não é direta como uma pessoa com ataque de sinceridade, ela fornece boas respostas e deixa confiante o condutor por trás do volante. Esse, por sua vez, poderia ter uma pegada mais ergonômica - as bordas são muito bojudas.

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Legenda: A cabine tem acabamento macio no console. Bancos de couro com ajustes elétricos só na versão mais cara
Crédito: Divulgação

Na hora de pisar fundo no acelerador, não espere que o motor 1.5 turboflex, importado da China e sem injeção direta de combustível, faça o modelo disparar e assoviar como outros turbinados. Não que falte potência, mas o comportamento é amistoso – mais parecido com motores aspirados. O peso de 1.424 kg também joga contra. É possível sentir ainda um pequeno atraso no encher da turbina. Depois que ela enche e os 21,4 kgf.m surgem em sua totalidade perto das 2 mil rpm, o SUV embala. A relação com a transmissão de dupla embreagem e seis marchas não passa por nenhuma turbulência. As trocas são suaves, sem trancos.

No lado de fora, o SUV tem dimensões generosas. Mede 4,33 metros de comprimento – 4 cm maior que o líder do segmento, o HR-V. Os 2,63 m de distância entre-eixos o colocam em um patamar acima dos principais concorrentes, como o próprio Honda (2,61 m), Hyundai Creta (2,59 m), Nissan Kicks (2,59 m), Chevrolet Tracker (2,55 m) e Jeep Renegade (2,59 m). O espaço traseiro é o mais beneficiado por essa medida. Com o túnel central quase plano, três pessoas conseguem acomodar suas pernas e cabeças ali sem demandar maiores intimidades. O contraponto desse maior espaço aparece no, digamos, diminuto porta-malas de 340 litros – menos que o 437 litros do HR-V ou os 431 litros do Creta.

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Legenda: O motor 1.5 turboflex de até 150 cv (etanol) é importado da China. A transmissão vem da Alemanha
Crédito: Divulgação

Outra virtude do Tiggo5x é o interior. A marca caprichou no acabamento com partes em emborrachadas no painel, discretas costuras pespontadas na cor vermelha da versão mais cara com bancos de couro e ainda inserções cromadas nas portas, console central e molduras das saídas de ar.

Na parte tecnológica, a central multimídia com tela de 9 polegadas reage de forma lépida aos comandos. Ela não traz GPS integrado, mas é compatível com os principais smartphones que agora espelham os apps de navegação mais populares. “Problema” resolvido. A interface, talvez, pudesse ser mais sofisticada, porém nada que atrapalhe o bom desempenho do sistema.

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Legenda: Dentro do pacote de equipamentos que a versão TXS traz está o teto panorâmico
Crédito: Divulgação

O painel de instrumentos tem uma tela LCD de 4,8 polegadas ladeada por dois mostradores analógicos: velocímetro e conta-giros. Ela exibe as principais informações carro, como velocidade, entretenimento e dados de consumo. Como o Tiggo5x incorpora sistema de monitoramento de pressão e até mesmo temperatura dos pneus, essas informações também podem ser checadas por meio do computador de bordo digital.

Freio de estacionamento eletrônico, seis airbags, ar-condicionado digital, controles de estabilidade e tração, teto panorâmico, botão de partida, luz de cortesia, chave presencial são mais alguns atrativos que a Chery coloca para fisgar novos compradores e também clientes de marcas tradicionais. Os quase R$ 97 mil pedidos podem ser difíceis de quebrar a barreira do preconceito, mas o Tiggo5x pode liderar o movimento.

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Legenda: A luz de boas-vindas com o nome do SUV é um dos itens adicionais da versão topo de linha TXS
Crédito: Divulgação
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