Antes de colocar sua moto na estrada

Veja dicas para viajar sobre duas rodas sem medo
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Geraldo Simões
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O Brasil produz motos há mais de 35 anos, mas nosso mercado só atingiu a maioridade a partir dos anos 1990, quando ocorreu o grande crescimento de vendas e chegamos no atual patamar de quase dois milhões de motos ao ano. Mesmo assim, muita gente está começando agora no mundo das duas rodas motorizadas, cheias de dúvidas e inseguranças. Uma das mais comuns é com relação a viagens.


É bom ter esse tipo de preocupação porque evitar o enrosco lá na frente. Sou do tempo que viajar de moto era muito mais preocupante. Os motores quebravam facilmente, os pneus com câmara furavam com qualquer coisa pontuda, as velocidades eram muito baixas e consumia muito óleo. Tínhamos de levar metade das mochilas só de ferramentas, óleo e peças de reposição. Hoje as motos estão tão confiáveis que já viajei mais de 5.000 km só abastecendo e conferindo o nível de óleo.


O conforto também melhorou bastante a ponto de nas minhas viagens de 700 a 800 km rodar direto, parando praticamente só para abastecer e me alimentar. Mas não aconselho fazer isso.


Veja algumas das dicas para quem quiser pegar a estrada sem medo:


Planeje antes – Toda boa viagem começa em casa. Hoje temos recursos excelentes como internet e GPS. Eu uso e abuso dos dois recursos e não desgrudo do GPS. Como o sistema escolhe sempre o caminho mais curto ou mais direto, às vezes a gente perde a chance de conhecer estradinhas mais agradáveis. Por isso, analise os mapas do Google Earth antes de programar o GPS. Claro que isso é para viagens longas. Até 200 km basta apontar o farol da moto pra estrada e curtir. No planejamento confira se há trechos longos sem abastecimento e já fique de olho nas cidades maiores que possam oferecer hospedagem em caso de cansaço ou chuva torrencial.


Bagagem – Lembre-se de que a moto é um veículo leve e com pouca capacidade de carga. Se instalar baú observe a capacidade máxima de carga e nunca alcance velocidades muito altas porque a transferência de peso pode desequilibrar a frente. Alguns baús vêm com essa advertência. Os alforjes laterais são indicados e seguros, mas veja se não encosta no escapamento (já botei fogo em toda minha bagagem por causa desse descuido). Se optar pela bolsa de tanque teste antes com o capacete vestido se ela não encosta no capacete. E nem atrapalha o esterçamento do guidão. Motos esportivas são as piores para carregar carga, muitas vezes é preciso recorrer às mochilas. Escolha uma que tenha alça abdominal para a carga não ficar toda nos ombros e regule as alças de forma a apoiar a mochila no banco e aliviar a carga. A regra de uma boa mala de motociclista é: depois de carregar tudo, livre-se de 30% do que está levando e pronto!


Comece de leve – Se você nunca entrou de moto na estrada, vá com calma. Faça primeiros alguns percursos menores, até 100 km para sentir como se posicionar, se a(o) sua(seu) garupa se adapta ao ritmo, cheque o conforto da moto, posição de dirigir e lembre-se de que na estrada você pode estar vestido com roupas mais grossas e pesadas e isso também gera cansaço.


Velocidade/autonomia – No Brasil não existe restrições quanto ao tamanho das motos na estrada. Eu diria que motos a partir de 250 cc ficam mais à vontade, mas nosso país é enorme, e o motociclista que hoje tem uma 100/150cc precisa pegar a estrada até para trabalhar ou estudar. Motos pequenas são mais lentas e pouco visíveis por isso precisam ocupar um espaço na estrada de forma a se tornarem visíveis por carros e caminhões. A autonomia das motos varia muito. Para saber basta multiplicar a dezena referente ao consumo pela quantidade de litros do tanque. Por exemplo, se sua moto consome cerca de 18 km/litro e o tanque tem 15 litros, basta calcular 18 x 15 – 10% de margem de segurança. O que daria 243 km. O ideal é abastecer antes de acender a luz de reserva (ou acionar a posição reserva da torneira de gasolina).


Paradas – Dependendo da estrada e da sua experiência (e de quem vai na garupa) parar a cada 240 km pode ser muito tempo. Uma boa margem é a cada 150 km. Aproveite esse intervalo para alongar, fazer um lanche, verificar se a carga está toda no lugar e abastecer. Se sentir sono, câimbra ou cansaço não insista e pare no primeiro posto que encontrar. Muita gente não acredita, mas é bem fácil cochilar pilotando moto e acordar na UTI! Quando se alimentar evite frituras e gordura que são difíceis de digerir, abuse dos sucos e sanduíches.


Acostamento – Nunca, jamais, pare no acostamento a menos que seja uma emergência ou pane grave. Quando fizer, deixe a moto e pule o guard-rail para sair da estrada. Existe um fenômeno chamado atração de foco que faz com que qualquer coisa no campo de visão do motorista se torne um alvo. É impressionante a quantidade de acidentes que acontecem com veículos parados no acostamento em qualquer lugar do mundo. Um motorista cansado, sonolento, se interessa pelo que vê no acostamento, se esquece de olhar para a estrada e PIMBA! Especialmente quando tem neblina ou na chuva (veja dicas para pilotar sua moto à noite). Mais perigoso do que parar no acostamento é fazê-lo debaixo de viadutos ou dentro de túneis. Alguns motociclistas se assustam com a chuva e param sob viaduto ou nos túneis esperando melhorar as condições. É um alvo fácil e tentador para um motorista distraído! Só pare com total segurança, em postos de gasolina, posto rodoviário ou áreas específicas de parada de veículo. Acostamento é estrada!


Pilotagem noturna – Se possível evite, mas quando a programação não der certo pode encarar na boa, ficando muito esperto. Para motos pequenas, que rodam em velocidades baixas, é recomendável usar o colete reflexivo. Nas motos maiores procure acompanhar o ritmo dos outros veículos. Nunca mais baixo. Lembre que ao colocar muita carga na traseira da moto (bagagem + garupa) o facho do farol levanta. Algumas motos tem regulagem rápida para esse caso. Mas se não tiver procure ficar afastado dos carros à frente porque vai ofuscar o motorista. Em algumas rodovias, especialmente no Nordeste, é muito grande o número de animais na pista. Viaje com atenção redobrada e se avistar dois olhinhos brilhantes já comece a frear!


Manutenção – Atualmente as motos são muito mais confiáveis, mas vale a pena conferir itens como as luzes, nível de óleo e lubrificação da corrente de transmissão. Se a viagem for longa, leva uma pequena bisnaga de óleo de corrente para lubrificar a cada 200 km. Um kit de reparo de pneus também é bem-vindo na bagagem. Viagens acima de 2.000 km começam a exigir manutenção mais profunda e aí se pode passar em uma oficina para eventualmente trocar óleo, checar pneus, luzes etc. E se for pegar trechos de terra é bom ficar de olho no filtro de ar.


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As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.


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