Complicado jogo de xadrez

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Fernando Calmon
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- Até outubro próximo, algumas decisões tomadas fora do Brasil podem trazer repercussões para as filiais das grandes corporações transnacionais fabricantes de veículos. Os grupos GM e Renault-Nissan iniciaram estudos, com prazo de três meses, para possível aliança, a partir de uma folha em branco, ou seja, sem preestabelecer qualquer premissa. Há algumas hipóteses em discussão. O acordo superficial abrangeria apenas montar estratégia de colaboração mútua para desenvolver agregados mecânicos ou mesmo plataformas específicas de alguns modelos. Porém não se descarta algo mais profundo com a possibilidade de até 20% do capital da GM ser assumido pelo grupo franco-nipônico.

A aliança Nissan-Renault, que completa sete anos, é exemplo de sucesso. A compra total da Chrysler pelos alemães da Mercedes-Benz, por sua vez, foi traumática e só agora tímidos resultados começam a aparecer. Ao contrário do que muitos pensam, a Renault não tem a propriedade da Nissan, mesmo detendo 44% do capital, pois existe participação cruzada com a marca japonesa proprietária de 15% das ações da francesa. O brasileiro Carlos Ghosn, no entanto, comanda as duas empresas por consenso e pelo competente trabalho em, primeiro, salvar a Nissan da bancarrota, e depois ser capaz de implantar uma forte sinergia entre os dois grupos, apesar das diferenças culturais e administrativas.

Esse exemplo de sucesso contrasta com os fracassos de iniciativas semelhantes, em diferentes níveis. Aqui mesmo ocorreu o desastre da Autolatina que existiu oficialmente por sete anos fora um ano até o casamento e outro para o divórcio. O erro primário ocorreu porque Volkswagen e Ford só juntaram seus problemas no Brasil, permanecendo as matrizes separadas. Até ganharam dinheiro, mas hoje caíram muito em participação de mercado. Também deu errado o acordo GM e Fiat, embora no Brasil estivesse limitado a compras conjuntas e motores e na Europa incluísse partilhamento de plataformas Corsa deu origem ao Idea e Grande Punto.

A GM, aliás, tem experimentado reveses em sua política de participações. A atual crise financeira levou-a a se desfazer dos investimentos na Suzuki, Isuzu, Subaru e Fiat. Do mesmo modo que o grupo italiano começa a se recuperar, o grupo americano tem alcançado progressos. Os prejuízos ainda são estrondosos, mas os recentes resultados do plano de recuperação já significaram valorização de suas ações em bolsa. Apenas nesse semestre começarão a entrar os fundos resultantes da venda de 51% do lucrativo braço financeiro. Assim, a GM pode chegar a outubro em melhor situação que a atual.

Em meio a essas incertezas, a Toyota, do alto de sua portentosa e inigualável capitalização, está desconfortável com o que seria o avanço da Nissan em conjunto com a Renault e a GM. Sem alarde, a Toyota quer liderar as vendas mundiais e tal aliança não deixa de ser ameaça a seus planos. Por enquanto, tudo é especulação. Os próximos passos desse complicado jogo de xadrez são impossíveis de prever. Porém, sem dúvida poderão afetar, mais cedo ou mais tarde, os planos e os futuros lançamentos no Brasil de todas as marcas envolvidas e até dos concorrentes.

RODA VIVA

ALÉM da Fiat, também a Volkswagen admite estar estudando a utilização do câmbio manual automatizado que custa cerca de 40% menos do que um automático convencional. A intenção é oferecê-lo em automóveis compactos, pois esse sistema não diminui o desempenho e nem aumenta o consumo de combustível. Idea pode ser o primeiro, seguido pelo Polo e até o futuro Gol V, em 2009.

PREVISÕES de analistas europeus dão conta de que, nos próximos cinco anos, automóveis fabricados para aquele mercado específico vão ter custos 35% superiores aos atuais para atender normas de segurança muito rígidas, em especial de proteção aos pedestres. Ameaça à atualização dos carros brasileiros maioria de origem européia, mas boa oportunidade para que o País possa projetar seus próprios modelos.

APESAR de vizinhos, Brasil e Argentina tem gostos bem diferentes em relação aos automóveis. Enquanto lá a Volkswagen lidera as vendas internas, a Fiat é a última das grandes marcas. Entre os modelos, o Gol é o mais vendido e o Palio, quinto, atrás de Corsa, 206 e Clio. O Mégane II tem exprimentado sucesso maior do outro lado da fronteira do que aqui.

SINDIPEÇAS, que reúne 648 fabricantes de componentes em 10 Estados, viu acender luz amarela no seu painel de previsões do ano. Para a entidade, o crescimento da produção inclui exportações será inferior ao previsto pela Anfavea em 2006 1,3% contra 4,5%. Problema vai além de dificuldades no mercado externo e passa pela possível greve contra os planos de reformulação trabalhista da VW.

TROCA de pneus exige, sempre, alinhamento e balanceamento de rodas. Deve-se ficar atento ao valor do orçamento apresentado. Às vezes esses serviços cobrados à parte ficam mais caros para compensar o eventual bom desconto obtido no jogo de pneus novos. Portanto, é bom se informar antes sobre o preço da operação completa, além da simples desmontagem e montagem aro-pneu.
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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.
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