Cuidar certo

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Fernando Calmon
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- A menor desvalorização possível do carro usado na hora da revenda é um objetivo que o brasileiro persegue, mesmo nos tempos de inflação baixa.

Na realidade já se passou a época em que era possível utilizar um automóvel e até ganhar dinheiro, reaplicado logo em seguida em outro veículo, antes que a moeda derretesse. Cuidar da manutenção mecânica é importante, todos sabem, mas poucos seguem à risca as revisões preconizadas pelo fabricante.

Essa situação pode mudar, pois há um esforço mundial em diminuir o gasto de tempo e dinheiro em oficinas. Basta citar o exemplo recente das correias dentadas de comando de válvulas. Elas duram em média 50.000 quilômetros e ao se romperem podem causar grande prejuízo ao bolso. A Dayco acaba de lançar na Europa correias para no mínimo 250.000 quilômetros, praticamente a durabilidade de um motor antes de uma retífica, se aplicável. Outros tipos de correias, velas, troca de óleo, filtros, amortecedores, pastilhas tudo está tendo sua vida útil bastante estendida. Vai ser difícil manter rentáveis tantas oficinas. Talvez isto explique o surgimento de alguns serviços supérfluos como limpeza de bicos injetores, a que o consumidor deve resistir. Não se trata de item de manutenção preventiva.

Um ângulo da questão mais evidente é o aspecto externo e interno do carro na hora de revendê-lo. O mercado tende a valorizar mais um veículo em bom estado aparente. Por esse lado, até que o brasileiro pode se considerar cuidante, em relação aos motoristas de outros países, especialmente europeus, até por razões de clima. A figura do propretário-lavador de carro domingueiro, no entanto, vem desaparecendo. Já foi um hábito arraigado nas cidades horizontalizadas. Mas a verticalização das moradias, a falta de tempo e o surgimento dos lava-rápidos por toda a parte, independentes dos postos de abastecimento, levaram à mudança de comportamento. Logo o preço da lavagem começou a cair e atrair mais clientes.

Daí a proliferação em todo o País. Só no Estado de São Paulo existem mais de 30.000 pontos. Segundo o recém-criado sindicato das empresas de conservação de veículos, representante dos lava-rápidos desvinculados dos postos de combustível, 90% trabalham na informalidade. E aí pode residir o perigo. Balde de água, detergente e estopa não significam serviço bem-feito. Pior ainda foi a reação dos postos: ducha grátis. Emergencialmente, até se admite para remoção de sujeira pesada. Mas deixar de secar a carroceria com panos e desprezar a cera protetora ficam longe do correto. Sol e vento, como elementos únicos para secagem com o carro em movimento, são inimigos da boa conservação.

Desperdício de água tratada 200 litros em média e descarte de detergentes sem tratamento também agridem o bom-senso. Como alternativa já existe a lavagem a seco ou com um mínimo de água 5 litros, soluções que ganham mercado aos poucos, especialmente em grandes estacionamentos. Uma lavagem semanal decente, pelo menos, é o ideal para quem deseja preservar seu patrimônio móvel, adiando tratamentos mais caros como polimentos e cristalizações. E, certamente, alcançar bom preço de revenda depois de alguns anos.

Evitar a tentação da ducha grátis, como regra, é cuidar certo.

RODA VIVA

ATRIBULADO projeto do smart Formore, previsto para o segundo semestre de 2006, sofrerá atraso. O utilitário esporte compacto sobre plataforma do Mitsubishi Colt resolveria a ociosidade de 90% da fábrica do Mercedes Classe A, em Juiz de Fora, MG. Voltado apenas para exportação, basicamente EUA e Canadá, a nova direção da marca em Stuttgart reavalia a situação. Aparentemente, nenhum processo de cancelamento à vista.

REVIVER o nome Auto Union, entre outros, está sendo cogitado para identificação corporativa do Grupo Volkswagen. Maior fabricante europeu, detém as marcas Audi, Seat, Skoda, Bentley, Lamborghini e Bugatti. A Auto Union surgiu em 1932 da fusão das marcas Audi, DKW, Horch e Wanderer, com o símbolo das quatro argolas entrelaçadas, ostentadas hoje pela divisão de luxo da marca, a Audi. Comenta-se que Bernd Pischetsricaption, presidente do grupo, por enquanto rejeita a idéia.

POSSIBILIDADE de trocar a pena de suspensão da carteira por doação voluntária de sangue é um projeto de lei do deputado Leo Alcântara, que tramita em comissões da Câmara dos Deputados. Embora meritório, deve ser bem estudado. Conversão de pena faz parte do Direito moderno. Mas é necessário, antes, reestudar o sistema de pontuação que tem graves defeitos. E a conversão deveria deixar de fora os motoristas irresponsáveis.

ESTATÍSTICAS da Bradesco Seguros dão contra de uma diminuição do número de colisões nos últimos cinco anos. Coincide com o período de revitalização da frota nacional com produtos mais modernos e melhora da segurança ativa dos carros modernos. Os custos de reparação também caíram. Em alguns casos até 50%. Uma pena que o preço do seguro continue tão alto por causa do aumento dos casos de roubo e furto. Espera-se que com uso de rastreadores esse tipo de sinistro também decline.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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