Grande passo

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Fernando Calmon
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- O crescimento de 8% do mercado brasileiro de veículos em 2004 prepara o terreno para uma firme tendência de recuperação ao longo dos próximos anos. Falta, porém, um consenso de qual será o ritmo dessa reação de vendas e isso depende também da situação da economia como um todo.

Este ano o Brasil vai bem. Vamos crescer 4,2%, mas sobre uma base comparativa muito baixa, a de 2003. Repetir esses números positivos em 2005 já não será tão fácil.

Na indústria, as previsões dependem do lado do balcão de quem analisa. O setor de autopeças acredita em aumento de produção de 10% e do mercado interno, de 8%. Os fabricantes estão divididos. Ford e Fiat, mais otimistas, Volkswagen e GM, menos. A Anfavea fica entre os extremos, tendendo para o positivo. Essa divisão de opiniões ficou clara durante o seminário Perspectivas 2005 realizado recentemente em São Paulo, SP pela Editora Autodata. Há, ainda, uma clara disputa sobre como distribuir os maus resultados acumulados nos últimos sete anos entre todos os elos da cadeia, incluindo a rede de concessionárias.

Em curto prazo haverá mesmo dificuldades com a obtenção de alguns componentes. Investimentos deixaram de ser feitos e, quem conseguiu, direcionou a produção para exportação. Como carro incompleto não pode ser vendido, apelou-se para importação de pneus e de tambores de freios, algumas vezes até por via aérea. O problema está centrado nos fornecedores de segundo e terceiro níveis. Sua situação financeira delicada dificulta a obtenção de crédito para produzir mais.

O consumidor deve se preparar para pagar parte dessa conta. Embora os aumentos nominais em 2004 devam beirar os 20%, a competição entre as marcas vai segurar o preço praticado no patamar de 10% de reajuste. Correções salariais também em torno de 10%, recuperação do nível de emprego e do índice de confiança explicam os bons resultados do ano. Este quadro tende a se repetir em 2005, mas certamente os descontos nas lojas serão menores.

As fábricas de veículos unificaram o discurso do mercado interno auto-sustentável e no patamar de 2 milhões de unidades/ano até 2007 ou 30% a mais que este ano. A Anfavea acredita que a produção mensal anualizada diferente da acumulada no ano civil pode atingir a meta no final de 2006. Para isso negocia mudanças com o governo, preservando, entretanto, o equilíbrio fiscal obtido a duras penas. E ressalva: “Não há data para conclusão e as medidas serão definitivas. Acordos provisórios esgotaram a eficácia.”

Embora os pragmáticos, com alguma razão, achem qualquer acordo válido, mesmo os emergenciais, a indústria deseja crescer sem a insegurança corrente. No seminário ficou claro que a prestação de no máximo R$ 500,00 é a que o comprador médio tem condição de pagar agora. Como aumentar a renda leva tempo, impostos menores e financiamentos mais longos são a única forma de garantir vendas.

Fechar essa fórmula não está fácil. O presidente da GMB, Ray Young, chamou a atenção da platéia para o fato de nenhuma empresa automobilística figurar entre as dez mais admiradas na última pesquisa da revista Carta Capital. No mercado em declínio as prioridades mudam, naturalmente, mas o potencial continua. Se a indústria conseguir chegar a propostas criativas e convencer o governo, dará um grande passo — e melhorará sua imagem.

RODA VIVA
DEPOIS de seis anos, a indústria voltou a empregar diretamente mais de 100.000 pessoas em outubro. Foram 10.000 novos postos desde janeiro e remunerados acima da média da indústria geral. Com a tendência mundial de terceirização e de robotização, é um bom número. Na cadeia produtiva, pelo menos mais 30.000 empregos autopeças e concessionárias.

PICKUP Fiesta está mesmo “encantada”. Prevista nos planos iniciais para a fábrica de Camaçari, BA, ainda carece de definições. Para complicar, é provável que a capacidade instalada esteja totalmente coberta dentro de 18 meses só com hatch, sedã e EcoSport, se os mercados interno e externo continuarem no ritmo atual. Fora da Bahia os custos são mais altos.

SIMPLES, barato e eficiente para diminuir colisões traseiras. É assim o dispositivo que mantém automaticamente as luzes de freios acesas, sempre que o veículo estiver parado, mesmo sem acionamento do pedal. Patenteado por Cláudio Callia, acaba de ser homologado como acessório pelo Contran. Uma fábrica de automóveis e uma de autopeças já testam o equipamento.

MESMO no mundo globalizado, há falhas de comunicação que prejudicam cooperação técnica e aumentam custos. No recente Salão de Paris, a Saab, do Grupo GM, mostrou um motor flex com tecnologia da Ford americana. Engenharia da GM do Brasil garante que isso não se repetirá, pois a marca sueca se integrará mais daqui em diante.

ENTRE as sugestões para acabar com desmanches clandestinos, que receptam produtos roubados, há uma bem radical: compactar em grandes prensas veículos acidentados com perda total. A baixa dos documentos seria automática para evitar as clonagens. Melhor, porém, seria uma fiscalização dos ferros-velhos atuais. Eles estão por toda a parte, desmontando ilegalmente.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.


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