Novo Mercedes Classe C: engatando a 7ª

Perceptível é o desenvolvimento do motor e seu casamento com a caixa hidráulica com sete velocidades
  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Novo Mercedes Classe C: engatando a 7ª
Roberto Nasser
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

Virado o século, a Mercedes-Benz viu BMW e Audi, antes distantes, aproximar de seus números de venda. Pesquisou e concluiu, a sua imagem sóbria, careta, desviava consumidores jovens aos concorrentes. Mudou o estilo, avançou sem futurismos, agregou novos itens confortos. Deu certo mundialmente, e outras características Mercedes, como a brutal resistência e a preocupação com assistência técnica implementaram vendas. No Brasil cresceu 37% ao ano desde 2004. Pretende Dimitri Psilakis, diretor de automóveis, vender 10 mil Mercedes neste ano, expandir 100% desde 2009.

Como usual, no meio do ciclo de vida, o Classe C passou por alterações para chamar atenções dos interessados. Grande mudança frontal, grupo óptico, grade, para-choques e total mudança no interior, com rearranjo de espaços, evolução do painel e instrumentação, possibilidade de sistemas como a facilidade para o estacionamento, tela com GPS, mapas brasileiros e instruções em português – de lá -, interação com o exterior.

Perceptível aos sentidos é o desenvolvimento do motor e seu casamento com a caixa hidráulica com sete velocidades. Os motores, recém evoluídos com sistema de injeção direta + turbo, produzem elevada cavalagem relativamente à cilindrada. As versões com motor de 4 cilindros, 180 – 156 cv -, 200 – 184 cv e o V6 250 – 204 cv – tem torque e potência bem aproveitadas pelas novas sete marchas da confortável transmissão.

O bom resultado não é apenas dinâmico, pela disposição em andar, mas ecológico pelas emissões reduzidas, e de baixo consumo. Em padrão europeu, apenas citado, o 180 faz mais de 15 km/litro. Na prática o bom torque em baixas rotações permite a automática troca de marchas, rodar em baixos giros e consequente baixo consumo. Entretanto, demandando reações, premindo o acelerador, as reduções se procedem e o automóvel reage rápido e suave na passagem das marchas.

Para 2012 a linha foi simplificada em cinco produtos: 180 apenas Classic, de entrada, projetando-se 60% das escolhas. Relativamente ao modelo 2010, em fim de estoque, é menos equipado – a regulagem de curso dos bancos dianteiros é manual. Glauci Toniato, nova superintendente de marketing de automóveis, entende que isto não reduzirá vendas. Crê, na compra de um Mercedes novo, para os novos clientes a realização de um sonho, o importante não é o olho do dono para o interior do Mercedes, mas a visão dos de fora à sua passagem ... Boa avaliação. Acima, 200 Avant Garde, superior em decoração e confortos.

E, ótima combinação, o novo 250. Nele a transmissão melhor aproveita torque e potencia do motor de seis cilindros em “V”. A diferença de 48 cv a mais relativamente ao 180 é exponencial, mas não a tornará a mais vendida, apesar de cobrar baratos R$ 1.770 para cada um dos bons cavalos alemães. Para ele, como para o 200, calcula-se 20% das escolhas.
Na lista, superlativo, pontual, peremptório, um dos melhores sedãs esportivos da atualidade, o C AMG 63, motor V8, bi turbo, 457 cv e a monumentalidade de aproximados 60 kgmf de torque – um carro 1.0 tem menos de 10 kgmf de torque.

Organizar e renacionalizar?

Regra antiga, ensinada pela vida: para explicar alguma coisa, chame um homem. Para fazê-la, convoque uma mulher.

Pelo que se vê, Dona Dilma Roussef, número 1 do Brasil, se irritou com as posturas de Dona Cristina Kirschner, sua equivalente na Argentina, quanto à criativa flexibilidade interpretativa nas regras de convívio comercial do Mercosul. E pisou na automática liberação das importações.

Consequencia legal da medida administrativa, estendê-la a todas as importações, incluindo as provenientes do México, com quem o Brasil tem acordo de isenção alfandegária, e peças e às demais, submetidas a impostos.

Resultado prático, dona Cristina não falou com dona Dilma por saber inócua a ligação; não marcou um chá no Planalto com receio de falta de agenda pela anfitriã; iniciou bailado diplomático: encontro de embaixador com ministro; secretários com secretários; ministros com ministros. Coisa para, pelo menos, dois meses de atividades, novos ajustes, juras de admiração e respeito eternos – até a próxima crise.

Há pontos claros, como o botar ordem nas relações com o Mercosul. O Brasil, díspar na relação econômica, na gestão Lula de excessiva leniência com parceiros e vizinhos, das firulas inventadas pelos argentinos, até a tomada da refinaria da Petrobras na Bolívia, tratadas com afago em lugar de indignação. Mas há itens pouco explicados, sobre a extensão do ato de delongar a emissão das licenças de importação a todos os países. José Luiz Gandini, presidente da Kia, importando 100 mil veículos neste ano, e da Abeiva, a associação dos importadores, acha necessário ver o que acontecerá. Homem do interior, só tem medo de onça – e não do urro. Vai esperá-la.

Qual a instigação da freada? É para travar os argentinos? É para proteger as montadoras aqui instaladas vendando comparação com os importados? É para auditar importações e seu valor? É para equilibrar a balança comercial no setor, hoje em US$ 1,9 bilhões contra US$ 790 milhões em 2010?

Um pouco de tudo. Entretanto, o maior problema não é o medido com a régua de hoje, mas com o telescópio do futuro. Não está na atual importação de carros dos países sem acordo – Alemanha, Japão, Espanha, França, China. Mas na crescente desnacionalização interna, por uso de partes importadas, gerando queda na produção local. Comparação alarmante e para tocar o alarme no governo, hoje, por exemplo, na montadora CAOA e seus produtos, o caminhãozinho HR e o velho Tucson, há menos nacionalização em operações industriais e peças do que na montagem de Dodges e Chrysler pela Brasmotor ao fim dos anos 40 e início dos 50, antes do presidente JK criar o GEIA e implantar a indústria automobilística brasileira.

Roda-a-Roda

Fusão – Entesourada e em processo de megalomania, a matriz alemã da Volkswagen ofertou US$ 20B – uns R$ 34B – pela patrícia MAN Caminhões e Motores, 3º fabricante mundial de caminhões, e aqui, dona da antiga VW Caminhões e Ônibus. Tem 30% da MAN e quer fazer sinergia com a sueca Scania, controlada por ela.

Ainda – À venda o Citroën C3 2012. Líder de vendas na marca, quase 200 mil unidades. Mantém as versões 1.4; 1.6; XTR e a opção de transmissão hidráulica. Detalhes de decoração para marcar: faróis, rodas, interior, acionamento elétrico para vidros, espelhos externos. Parte dos R$ 37.990.

Dúvida – O lançamento, próxima semana, do novo C3 Picasso, versão do Aircross, sonhada alavanca para elevar vendas em 20% e conquistar 3,5% do mercado, não tomará vendas ao C3 atual? Rogério Franco, interface da Citroën com a imprensa diz não, centrando o objetivo do C3 Picasso acima, no concorrer com Fiat Ideia, GM Meriva, VW Spacefox.

Efeito JAC – Completos, a nova safra de produtos chineses, puxados pelos JAC, geraram o previsto pela Coluna: sacudiu a indústria local. Forçou melhor equipar seus veículos e baixar preços em médios R$ 3 mil. Ford Fiesta, Renault Sandero estão nesta oficialmente, e as outras marcas criam bônus a concessionários para flexibilizar descontos.

Lançamentos – Fiat confirma o Freemont, sua versão para o Dodge Journey, lançado ao início de agosto. Em setembro o Fiat 500. Ambos mexicanos e menos equipados, e preços sonhados: R$ 70 mil e R$ 46 mil.

Acredite – No primeiro trimestre deste ano a gaúcha Marcopolo, agora multi nacional, produziu 6.852 ônibus – cerca de 100 unidades diárias. Uns dois quilômetros de ônibus por dia!

Oportunidade - “Como o Brasil pode aproveitar a Década Mundial de Ações de Trânsito?” É o que pretende traçar o Forum Volvo-OHL, tradicional e maior evento nacional de trânsito em Brasília, 15 de junho. Autoridades, o australiano Eric Howard, consultor em projetos nesta área, e Pere Navarro, que reduziu à metade a mortalidade no trânsito na Espanha.

Trato – Após comprar a famosa Meguiar’s e seus produtos de primeira linha para trato e conservação de veículos, a 3M inicia divulgá-la, com promessas de aparência de carro de exposição nos veículos normais.
Saber mais? www.meguiars.com.br.

Nacionais – A Kawasaki incluiu Versys e Z1000 em sua montagem na Zona Franca de Manaus, AM. Metade dos 18 modelos da marca: Ninja 250R, ER-6N, Ninja 540R,Z750, Vulcan 900, Custom e Classic LT.

Papo – Diz texto da CAOA, montadora de Hyundais, ter construído a primeira fábrica no Brasil com capital nacional. Inverdade. O foram a Gurgel, a Puma e, recentemente, a Mitsubishi. Pródiga em inverdades, é a única montadora punida pelo Conar, o Conselho de Publicidade.

Especialidade – Loja conceito no circuito de Interlagos, SP, a U|Racer implanta sistema de franquias. Quer 32 em cinco anos. Justifica pela paixão nacional pela velocidade, a diversidade de campeonatos, as quase duas centenas de corridas. Afim? www.uracer.com.br

Mimo – Disponibiliza por download calendário mensal para fundo de tela, no www.hbnet.com.br/uracer_maio.jpg

Ecologia – Fabricando sete modelos de scooters elétricos, a Kasinski desenvolve Posto de Reabastecimento gracioso para os usuários. Placa fotoelétrica de 3m2 capta luz solar transformando-a em corrente elétrica.

Antigos – Montadoras brasileiras desprezam sua história. Nenhuma preservou a primeira unidade produzida – exceto Mercedes com os Classe A primeiro e último e caminhão 312. A Mitsubishi, reúne os carros que fizeram a história dos Souza Ramos. Agora, a Kia acaba de restaurar a primeira unidade vendida no país, caminhãozinho Ceres, 4x4, carroceria basculante. No caminho do bom exemplo.

Gente – Fabiano Severo, 28, jornalista, novo caminho. Trocou redação por assessoria na Volkswagen: interface técnica. ** Célia Murgel, jornalista, re-eleita presidente da Abiauto, associação que reúne jornalistas especializados em automóvel. Consequencia de gestão que ampliou o espectro institucional e elevou, por ações concretas, o relevo da entidade.


E a Fiat volta aos EUA

Início de 2009 a Fiat assumiu 35% das ações da Chrysler LCC por conta de sua expertise gerencial e compromisso de produzir nos EUA motores e veículos com menores consumo e emissões. Detém tecnologia de vanguarda nesta área e a reversão num corajoso processo interno para vitorioso crescimento, foi dado empresarial para o acordo de gestão da Chrysler. Sua chegada aos EUA iniciará pelo apuro mecânico destes veículos, e o primeiro Fiat a marcar sua volta aos EUA será o Novo 500, em 2011.

O vocábulo “volta” está correto. Não se refere apenas à saída do mercado norte-americano em 1982, mas a fato histórico de pouco conhecimento: a produção de Fiats made in USA entre 1908 e 1924. Forte em projetos, a montadora italiana implantou enorme fábrica às margens do Rio Hudson, na pequena Poughkeepsie, 120 km de Nova Iorque. Ali fez leque de produtos da série Tipo e o Fiacre, primeiro destinado ao serviço de taxis, com habitáculo protegido, à época uma das referências da vibrante cidade.

O pós I Guerra Mundial incrementou o crescimento da Fiat, a criação de mecanismos de financiamento, a produção em larga escala reduzindo custos, a ascensão do fundador Giovanni Agnelli como CEO, e a chegada de Mussolini ao poder, mudaram o foco da companhia. Recolheu a visão de internacionalização, fechou operações na Austrália, na Rússia e, em 1924, encerrou sua produção norte-americana. Um ano antes do nascimento da Chrysler. Centrada na Itália, voltou-se aos carros menores, avaros em consumo, seu conceito mundial.


As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

Leia outras colunas de Roberto Nasser aqui

_______________________________
Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors