Os combustíveis do futuro

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Karina Autopress
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- Três pesquisadores do Grupo Volvo na Suécia, dois especialistas da Volvo do Brasil e um cientista da USP foram os palestrantes do Seminário Volvo de Meio Ambiente, realizado nos dias 10 e 11 de novembro passado na cidade de Amparo, a 130 quilômetros da capital de São Paulo.

Os pesquisadores e os temas abordados foram Inge Horkeby, da AB Volvo, que discorreu sobre problemas ambientais; Henrik Kloo, especialista em meio ambiente da Volvo Technology AB, de Gotemburgo, sede mundial da Volvo, na Suécia, sobre o sistema híbrido diesel-elétrico; Jan Gustafsson, da Volvo Truck Corporation, sobre o que a empresa tem feito para tornar suas unidades fabris isentas de CO2 dióxido de carbono; Alexandre Parker, do departamento estratégico da Volvo do Brasil, sobre biodiesel; a engenheira Edna Berg, sobre a gestão ambiental na fábrica de Curitiba, Paraná, sede sul-americana da marca; e José Roberto Moreira, da USP, sobre o setor de transportes e sua influência no ambiente.

O lançamento de um motor híbrido diesel-elétrico Volvo dentro de poucos anos, a minimização de emissões de CO2 nas fábricas do grupo ao redor do mundo, o desenvolvimento de produtos cada vez menos poluentes e o eventual fim dos combustíveis fósseis foram as temáticas principais do encontro.

Inge Horkeby iniciou os trabalhos dizendo que “o grupo Volvo tem muitos anos de experiência com questões ambientais. O respeito ao ambiente é um dos três valores fundamentais da marca, ao lado de segurança e qualidade”. Os produtos da marca atendem às mais estritas regulamentações mundiais de emissões, suas fábricas possuem sistemas de gestão ambiental certificados pela norma 14001 e seus caminhões têm um índice de reciclabilidade de 96%.

Henrik Kloo foi muito direto: “O óleo diesel obtido do petróleo cru será o principal combustível para veículos pesados por muitos anos ainda, mas a longo prazo teremos de passar a outros combustíveis e outras fontes de energia”. Paralelamente, descortinou soluções, falando sobre a solução híbrida diesel-elétrica para veículos pesados e que dentro de poucos anos estará no mercado. O conjunto motriz é destinado a aplicações urbanas tipo pára/anda, gera zero emissões com o veículo parado e reduz em até 35% o consumo de diesel – importantíssimo quando se sabe que o combustível chega a representar metade da planilha de custos do transportador, e a redução desse custo traz com ela a minimização da emissão de CO2, que a parte diesel do conjunto motriz pode queimar biodiesel e outros biocombustíveis.

A solução Volvo é conhecida pela sigla I-SAM. O motor elétrico funciona em paralelo com o motor diesel, e tem força suficiente para acelerar um caminhão ou ônibus pesado sem o auxílio do motor diesel. Paralelamente, o uso de um sistema de frenagem regenerativa transforma o calor das frenagens em energia elétrica e a armazena em baterias acumuladoras, que quando necessário energiza o motor elétrico e acelera o veículo. Uma energia que, de outra forma, seria jogada no ambiente, literalmente desperdiçada, sob a forma de calor.

O motor elétrico é normalmente usado apenas em arranques e acelerações, até uma velocidade de cerca de 20 km/h, deixando o motor diesel desligado. Após essa velocidade, o motor elétrico “descansa” e o diesel assume o trabalho, passando também a recarregar as baterias. Assim, o motor elétrico trabalha tanto como unidade motriz como alternador. Não apenas não polui quando funciona, mas também é extremamente silencioso – duas enormes vantagens num veículo urbano. Com o veículo parado em tráfego congestionado ou durante operações de coleta e entrega, carga e descarga, somente a energia elétrica é utilizada. O motor diesel é completamente desligado, seus níveis de ruído e emissões mantendo-se em zero.

O conceito de híbrido paralelo diesel-elétrico traz outra grande vantagem: como as duas fontes de energia trabalham de forma independente, numa eventual falha um dos sistemas não afeta o outro.

Ian Gustafsson disse que o consumo global de energia cresce mais de 2% ao ano, ou seja, dobra a cada 30 anos. Discorreu então sobre o programa de redução das emissões de dióxido de carbono nas fábricas do grupo, com o aumento de fontes livres de CO2 e redução do consumo de energia. O grupo está investindo pesado para eliminar as emissões de dióxido de carbono em suas fábricas de Ghent, na Bélgica, e Umea e Tuve, na Suécia. Na fábrica belga, está a ponto de construir três usinas eólicas geração de energia pelo vento, além de uma nova planta de eletricidade e calor por biocombustível. Hoje, a fábrica utiliza gás natural para aquecer suas instalações, onde emprega 1.500 funcionários e produz caminhões FH, FM e FL.

A fábrica de Umea, que produz cabines para as plantas de Ghent e Gotemburgo, desenvolve em conjunto com a universidade local e com a empresa de energia Umea Energi um processo para substituir o GLP por um gás biossintético inofensivo ao ambiente.

O gás biossintético otimizado, desenvolvido pela universidade local, será produzido por uma usina de gaseificação, num reator de fluxo, que mói e transforma em gás os subprodutos residuais da indústria florestal. A Volvo Trucks, desde a década de 80, substitui o óleo por um sistema local de geração e distribuição de calor – e na década de 90 chegou a mais de 80% de diminuição de emissões.

Em Tuve, na região de Gotemburgo, a Volvo, em contrato com as Göteborg Energi, passará a receber energia de origem eólica livre de CO². Cada uma das seis unidades geradoras terá capacidade de gerar 2 MW, e pelo menos duas delas serão erguidas em propriedades da própria Volvo. Para o aquecimento da planta, uma nova caldeira de 10 MW está sendo instalada, queimando biocombustível.

A Volvo do Brasil, como não poderia deixar de ser, está alinhada a este programa de redução de emissões de CO2. Os caminhões e ônibus produzidos na fábrica da Grande Curitiba já alcançam uma redução de 15,2%.

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José Luiz Vieira é engenheiro automobilístico e jornalista, diretor de redação da revista Carga & Transporte e do site TechTalk www.techtalk.com.br, sócio-proprietário da empresa JLV Consultoria e um dos mais respeitados jornalistas especializados em automóveis do Brasil. Trabalhou como piloto de testes em várias fábricas e foi diretor de redação da revista Motor3. E-mail: joseluiz@jlvconsultoria.com.br

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