Sinal de alerta

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Fernando Calmon
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- Uma notícia no final de 2004 agradou não apenas aos ambientalistas, mas aos usuários conscientes de automóveis e outros veículos leves.

O nível médio de poluição foi o mais baixo dos últimos cinco anos na Grande São Paulo, sempre relembrando que veículos motorizados respondem por mais de 80% das emissões totais, inclusive poeira em suspensão. A cidade de maior frota do País é também apenada pela natureza. Especificamente nos três meses mais frios do ano, com pouca chuva e vento para ajudar na dispersão de poluentes, forma-se o fenômeno de inversão térmica, aquela grossa camada de névoa seca de mau aspecto observada por quem chega de avião.

De fato, os veículos estão poluindo muito menos. Tudo graças ao Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores Proconve, talvez a iniciativa de maior êxito e alcance já implementada pelo Brasil na área ambiental. Uma nova fase começa agora em janeiro com um aperto gradual de especificações sobre os motores Diesel de caminhões, ônibus e pickups e, mais adiante, atingindo os de ciclo Otto gasolina, gás e álcool.

Em todo o mundo, aliás, se observa que os veículos estão cada vez mais “limpos” em termos de emissões. Ocorre, na realidade, uma corrida saudável. Cada meta atingida é ponto de partida para restrições ainda maiores. Há exemplos de países, como a Suécia, que se aprofunda e já utiliza a maior frota mundial de ônibus urbanos a álcool. E acabam por influenciar suas marcas nacionais. A Saab anuncia o seu primeiro modelo flex álcool-gasolina para julho próximo. A Volvo é a única a equipar todos os seus carros com digestores de ozônio, um gás mais incômodo do que letal. Trata-se de um equipamento caro, porém ideal para São Paulo, onde a formação de ozônio, mesmo no verão, é o que mais preocupa.

O grande responsável pela evolução tem sido o catalisador, ao lado do notável progresso da eletrônica de bordo aplicada aos motores. No Brasil, o motivo de inquietação é que muito poucos substituem o catalisador ao fim de sua vida útil média de 5 anos ou 80.000 quilômetros. A Cetesb, órgão ambiental paulista, acaba de publicar um estudo inédito em parceria com o Centro Internacional de Pesquisa em Sistemas Sustentáveis. O objetivo foi medir as emissões de veículos leves em condições reais de tráfego. Para tanto escolheram aleatoriamente 120 veículos de voluntários da própria agência, combinando vários modelos, anos e condições de uso.

Os resultados apontam um acelerado aumento das emissões poluentes em relação ao tempo de uso. O problema concentra-se nos veículos mais velhos. Surpreendentemente, no entanto, uma porcentagem nada desprezível de carros seminovos mostrou rápida deterioração dos parâmetros originais, superando até o que permite o Proconve. As causas não foram avaliadas, mas é válido considerar uso de combustível adulterado, manutenção negligenciada, acidentes, além de buracos e quebra-molas nas ruas e estradas que afetam o núcleo cerâmico do catalisador. Além de o próprio catalisador ter superado sua vida útil garantida.

Por enquanto, a rápida renovação da frota paulistana de veículos, nos últimos anos, deve estar mascarando a dificuldade real. Ao mesmo tempo em que hoje se pode comemorar, um sinal de alerta para o futuro emerge, com clareza, das conclusões da pesquisa.

RODA VIVA
DEZEMBRO superou as previsões com uma recuperação acima do esperado até pelos mais otimistas. Resultado das vendas ao mercado interno fez fechar 2004 com quase 40.000 unidades superiores ao previsto. Último mês do ano, em geral, é considerado fraco por ter menos dias úteis. Balanço final confirma: 2005 pode ser melhor que o imaginado.

ALGUNS indicadores já apontavam o provável início de um circulo virtuoso de crescimento. A associação dos bancos ligados às fábricas ANEF, que responde por dois terços dos financiamentos de modelos novos, anotou um índice de inadimplência de apenas 3,9%. É a taxa mais baixa já registrada no pagamento de prestações.

CHINA volta a impressionar. Numa arrancada de final de ano, o país mais populoso ultrapassou a Alemanha e se tornou, em 2004, o terceiro maior produtor mundial com 5,7 milhões de veículos, mais que o dobro do Brasil. Está certo que a diferença foi de apenas 100.000 unidades em relação aos alemães e metade são de caminhões e ônibus. Ainda assim.

MUITO boa relação preço-benefício do utilitário esporte Rexton 4x4, da coreana Ssangyong. Mecanicamente quase clone do Mercedes ML, custa 60% menos. Carroceria desenhada pelo mago Giugiaro destaca grande aerofólio traseiro. Ótima posição ao volante. Suspensão tem curso adequado, mas motor turbodiesel de apenas 120 cv é insuficiente em breve, um novo de 165 cv. Transmissão automática com reduzida, outro ponto alto.

PROJETO do deputado Domiciano Cabral prevê fim das mochilas e uso único de baú nas motocicletas de entrega rápida. Dimensões seriam regulamentas pelo Contran. Obrigatórios luz de posição e inscrição da placa da moto bem visíveis. Algo precisava ser feito para inibir abusos por parte de maus usuários de um veículo útil como a moto.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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