Triste contabilidade

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Fernando Calmon
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- Quantificar o problema pode ser o primeiro passo para tentar uma solução. Os acidentes de trânsito no Brasil estão entre as principais causas de mortes, segundo o Ministério da Saúde. Se essa constatação já não significasse uma tragédia em si, o que dizer dos custos envolvidos e suas repercussões na economia do País extrapolando para muito além dos envolvidos diretamente? À procura de respostas, o Denatran promoveu e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Ipea executou o estudo Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Rodovias Brasileiras.

O relatório final acaba de ser publicado, depois de analisadas as estatísticas de estradas fcaptionais e estaduais sete unidades da fcaptionação, entre julho de 2004 e junho de 2005. O custo anual atingiu nada menos de R$ 22 bilhões. Segundo o Ipea, “a maior parte refere-se à perda de produção, associada à morte das pessoas e interrupção das atividades também dos feridos, seguido dos custos de cuidados em saúde e aos associados aos danos nos veículos”. No estudo anterior, entre 2001 e 2003, centrado nas aglomerações urbanas e utilizando a mesma metodologia, o instituto havia contabilizado outros R$ 5,3 bilhões. Somando-se, o total alcança R$ 28,3 bilhões ou 1,54% do PIB tudo o que o País produz por ano. Significa metade do crescimento atual da economia.

Na realidade, trata-se de análise conservadora por deixar de incluir os mortos até 30 dias após o acidente, bem como o tempo perdido nos congestionamentos, despesas judiciais, locação durante imobilização do veículo e outros ônus. Cada pessoa morta custa exatos R$ 270.165 e o total do acidente sobe a R$ 418.341. Um ferido representa R$ 36.305 e R$ 86.032, respectivamente.

A radiografia mostra que, nas rodovias fcaptionais, 25% das mortes acontecem em colisões frontais e 19% decorrem de atropelamento de pedestres. Uma das sugestões do Ipea para mitigar o problema é acelerar o atendimento pré-hospitalar de qualidade ao longo das estradas a fim de aumentar as chances de sobrevivência das vítimas. E, ainda, melhorar a capacitação dos hospitais no entorno dos eixos rodoviários para o caso de desastres mais graves.

Os valores envolvidos nos acidentes de trânsito — já se sabia pela experiência de outros países — são realmente assustadores. Agora estão contabilizados de forma científica. Qualquer empenho para diminuir tal estatística macabra tem enorme importância. Nesse aspecto, o Denatran vem cumprindo sua parte. Nos últimos dias de 2006 regulamentou o uso do quebra-mato, execrável acessório que, além de aumentar os danos materiais e pessoais em acidentes, agrava de modo drástico as conseqüências numa pessoa em caso de atropelamento.

A resolução, de novo, não foi a ideal entre outras coisas porque mantém o “direito adquirido” dos modelos já em produção. Mas agora há exigências rígidas — altura e peso máximos, homologação pelo Inmetro — para os fabricantes desses penduricalhos fatais e o preço vai aumentar. Uma falha grave foi excluir os veículos com mais de 3.500 kg de peso bruto. Aumentando para 4.500 kg, picapes pesadas como F-250 e Dodge Ram teriam de cumprir as novas normas. No momento, ficaram livres e soltas.

RODA VIVA

VISITA à Argentina de Carlos Ghosn, número um da Renault-Nissan, acrescentou pouco ao que já se sabia. Clio 2-portas, de menor demanda aqui, passará a ser feito apenas em Santa Isabel Córdoba; 4-portas e sedã continuam em S. J. Pinhais PR. Ghosn ainda não confirmou, mas tudo indica que o novo Kangoo será fabricado lá e talvez um produto Nissan. Problemas energéticos atrapalham o país.

GRANDE número de acidentes nas festas de fim de ano novamente teve por causa a embriaguez. De acordo com pesquisas em vários Estados, na média mais de 20% dos motoristas brasileiros guiam alcoolizados, proporção que sobe em datas especiais. Nos EUA, por exemplo, não chega a 3%, segundo Ronaldo Laranjeira, professor da Unifesp.

FORD oferece kit gás da White Martins BRC apenas para pickup Ranger a gasolina, em fevereiro. Difícil encontrar interessados entre particulares: se usada apenas em cidade, precisa rodar muito; em estradas, depende de achar postos. Kit é o melhor disponível, hoje, no mercado com menor queda de potência, mas custa R$ 5.700,00. Solução flex álcool-gasolina é bem mais simples e barata.

UTILIZE calibrador manual, tipo caneta, para confirmar a pressão dos pneus, especialmente com o carro carregado, após passar pelo equipamento dos postos, em geral, malconservados. José Quadrelli, da Bridgestone, aconselha até inflar com uma libra a mais de pressão, além do recomendado pelo fabricante, se não for possível checar se o equipamento fixo está aferido.

VEM aí outro aumento real, acima da inflação, para o chamado seguro obrigatório. No caso de automóveis o reajuste será de 11%, passando para R$ 84,00. No ano passado já havia subido mais de 40%. Quem já possui seguro a favor de terceiros fica cada vez mais prejudicado. Deveria se prever algum tipo de compensação.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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