Garantias: longo alcance

Tempo de garantia dos automóveis atrai na hora da compra e ainda ajuda a manter o cliente frequentador da revenda
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– Em um mercado competitivo, onde marcas prometem longos financiamentos, taxa de juros baixas e muitos “brindes” na compra do zero quilômetro, a oferta de uma garantia de fábrica mais longa pode ser um detalhe fundamental na decisão de compra de um automóvel. Dois, três ou até cinco anos de veículo na garantia podem servir como atração e até fidelizar o cliente. E também resultam em levar o automóvel e seu proprietário a frequentar a concessionária algumas vezes nesse período de tempo – logicamente, se a intenção não é perder a garantia, todas as revisões regulares devem ser feitas na rede autorizada e dentro dos prazos estipulados pelo fabricante.

A questão é que, apesar de a maioria das fabricantes demonstrarem publicamente quanto o consumidor vai desembolsar ao fazer revisões programadas, o gasto com uma simples revisão dos 5 mil km não é exatamente atraente. “Muitas marcas divulgam o preço na tentativa de demonstrar transparência dos custos. Só que é uma situação complicada. Se o cliente perde a garantia e tem um problema posterior, o prejuízo será muito maior que o valor de uma revisão”, argumenta Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive. “O motivo da revisão é manter a qualidade do produto que saiu da concessionária zero quilômetro”, se esquiva Cristiane Paixão, gerente de assistência técnica da Fiat.

Algumas marcas defendem que não têm lucratividade ao oferecer uma garantia de fábrica e alegam que para assegurar transmissão, motor e componentes do veículos, passam ao consumidor a confiança que depositaram no modelo em questão. “Oferecer uma garantia de três anos não é simples e tem um custo para a marca. Se lançamos uma garantia longa em um produto sem qualidade, o prejuízo é nosso. É um tiro no pé”, defende Luiz Pedrucci, diretor de pós-vendas da Renault do Brasil.

E apesar de a ideia do “efeito prisão” ao adquirir um veículo com garantia longa, especialistas enxergam este recurso como um ponto positivo principalmente, na hora da revenda. “A vantagem é que o cliente ainda repassa o carro com a garantia de fábrica. Dessa forma, o primeiro dono foi assegurado e o segundo tem a confiança de um veículo em bom estado”, afirma Ary Jorge Ribeiro, diretor de vendas da Kia Motors.

De acordo com o Código do Consumidor, as fabricantes são obrigadas a fornecer uma garantia legal de 90 dias para o veículo que sai da concessionária. “A garantia extra, chamada de contratual, fica a critério da marca. Somadas, formam a garantia total do veículo”, explica o gerente de engenharia de serviço da Ford, Fernando Ribeiro. No Brasil, a média de garantia varia de um a três anos. As coreanas são as que oferecem prazos mais longos, de até cinco anos de veículo assegurado de fábrica. “O cliente quando compra o veículo e fica dentro da garantia, fica mais fiel e permanece mais tempo frequentando a concessionária, mas este não é o objetivo principal, e sim um ganho paralelo. Essa fidelização é um efeito colateral positivo”, reconhece Luiz Pedrucci. “A fidelização de um cliente vai além do processo de garantia. É como se fosse um subproduto desse processo”, completa Philip Derderian, diretor de marketing da Kia.

Instantâneas
# A Subaru dá cinco anos de garantia para seus veículos, no qual os três primeiros anos têm cobertura total. Os outros dois são apenas para motor, câmbio e eixos.
# A Ferrari oferece a chamada “Power Warranty” para modelos já usados com até oito anos de emplacamento. Os que estiverem dentro desse panorama serão cobertos por dois anos pela própria fábrica. Os cobertos pela garantia são 360 Modena, 360 Spider, Challenge Stradale, F430, F430 Spider, F430 Scuderia, 550 Maranello, 550 Barchetta Pininfarina, 575M Maranello, Superamerica, 599 GTB Fiorano e 612 Scaglietti.
# Volkswagen oferece garantia de três anos para todos os veículos fabricados a partir de 2005, mas apenas para motor e transmissão. Já a Peugeot dá garantia total durante um ano, incluindo mão-de-obra gratuita, além de assistência 24 horas.
# Desde 2001, toda a linha BMW possui garantia de dois anos e sem limite de quilometragem. A fabricante alemã ainda dá três anos para pintura e 12 anos contra corrosão com perfuração da carroceria.

Guerra das garantias
No início dos anos 2000, o mercado automotivo americano se movimentou graças a uma marca sul-coreana disposta a conquistar uma fatia maior da indústria. É que em 1999, a Hyundai ofereceu 10 anos de garantia para motor e transmissão de todos os modelos de sua linha. Além disso, o comprador tinha cinco anos de garantia para o resto dos componentes do veículo. Intimidadas com a estratégia de conseguir novos compradores, as fabricantes iniciaram uma verdadeira guerra do “quem dá mais”. A subsidiária Kia logo seguiu a receita de sucesso e se dispôs a cumprir a mesma estratégia. Em sequência, Toyota, Mitsubishi, Nissan, Infiniti, Lexus, Daimler Chrysler passaram a assegurar motor e transmissão além da garantia de fábrica.

No Brasil, as coreanas Kia e Hyundai dão garantia de cinco anos para a linha de automóveis. A Renault, a Nissan e a Chery oferecem três anos para os veículos de suas gamas. A francesa, aliás, foi a primeira fabricante isnstalada no Brasil a dar a garantia de três anos para toda a linha, desde os modelos de entrada. A Citroën dispõe de três anos para modelos como C4 hatch, C4 Picasso, Grand Picasso, Citroën C5 sedã e Citroën C5 Tourer. Na Fiat, a garantia varia de acordo com o modelo. Os de entrada como Uno e Mille têm apenas um ano, sem limite de quilometragem. Outros como Bravo, Linea e 500 estão cobertos por 2 anos. Na Ford acontece algo parecido. Enquanto o compacto Ka tem apenas um ano de garantia, Focus e Fusion dispõem de três anos, sem limite de quilometragem. “Quanto maior a garantia, maior a confiança sobre o produto. Quem ganha no final das contas é o consumidor”, afirma Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

Quem dá mais?
O tempo de garantia dado pelos fabricantes de automóveis instalados no Brasil está diretamente ligado ao valor e posição de mercado de seus carros. De modo que os modelos populares geralmente recebem um ano de cobertura, enquanto veículos mais caros são ofertados com um tempo maior de garantia. A exceção fica por conta de fabricantes que ainda estão construindo a sua imagem com o consumidor. Exemplo da Renault, que usa a garantia de três anos de seus modelos de entrada, como o Clio, como apelo de vendas no segmento. Já marcas estabelecidas no cenário nacional há mais tempo, como Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Ford, oferecem uma cobertura menor para os seus modelos menos requintados.

Renault
Clio, Logan, Sandero, Symbol, Mégane Grand Tour - 3 anos

Fiat
Palio, Punto, Siena, Idea, Uno, Mille, Strada, Doblò - 1 ano
Bravo, 500 - 2 anos
Linea - 3 anos

Ford
Courier, Fiesta, New Fiesta, Ka - 1 ano
Focus, Fusion, F-250, Ranger, EcoSport - 3 anos

Kia
Todos - 5 anos

Volkswagen
Todos - 1 ano, mas com 3 anos para motor e transmissão

Hyundai
Todos - 5 anos

Effa
Todos - 2 anos

Chery
Todos - 3 anos

Nissan
Todos - 3 anos

Peugeot
Todos - 1 ano

Citroën
C3 - 2 anos
Todos os outros - 3 anos

Chevrolet
Agile, Celta, Prisma, Classic, Corsa, Astra, Meriva, Zafira - 1 ano
Vectra, Vectra GT, Captiva, Malibu, Omega Fittipaldi - 3 anos

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